Um Por Um: Luiza Lian por Luiza Brina

O som que queremos ouvir por mais uma década: Ao longo do mês de novembro, o Música Pavê comemora seus dez anos no ar através de uma série especial com artistas que temos acompanhado de perto comentando outros que também amamos. Dessa forma, uma grande playlist vai sendo montada com os sons que apontam para o futuro sendo adicionados um por um.

Uma É Luiza Brina

A cantora, compositora, arranjadora e multi-instrumentista, depois de uma carreira consistente na banda Graveola, acompanhando outros músicos e também em sua discografia solo, se aventura também como produtora em seu EP deriva (2020). De voz doce e olhar sagaz, a artista mineira virou sinônimo de boa música.

No Música Pavê: “A canção é a grande coisa da minha vida, é o que me move desde criança. Ao meu ver, é uma coisa muito importante para o ser humano, uma tradição de muitos anos, desde os trovadores. Acho que a canção desperta coisas necessárias para cada um individualmente, cada uma tem uma função específica na vida de cada pessoa. Eu acho que é isso, que independente do caminho estético que cada canção vai tomar a partir de agora, ela vai continuar cumprindo essa função de acolhimento, de ajuda, de descobertas íntimas para cada pessoa” (Entrevista, 2019)

A Outra É Luiza Lian

A artista de São Paulo virou um daqueles casos de “favorita de nossos favoritos”, sendo um dos nomes mais citados em entrevistas como um dos destaques desta geração. Sua discografia trabalha a herança da produção cultural brasileira com o que há de melhor na música contemporânea, tudo a favor de sua excelente interpretação.

No Música Pavê: Chororô é uma das músicas mais interessantes da temporada: Tem força de hit e natureza torta ao mesmo tempo. Mais que isso, ela apresenta Luiza Lian e seu primeiro e homônimo álbum” (Conheça, 2015); ” Espanta (…) não ver Mira sendo citada como um dos pontos mais altos do álbum, visto que é uma das faixas mais envolventes e mesmo impressionantes de todo 2018. Talvez por sua poesia ser a mais subjetiva de toda a obra, talvez por ela trazer elementos muito diversos (…) e uma métrica mais livre, não sei. Mas é justamente aí, na beleza que essa confluência gera com a voz de Luiza que acontece um deslumbre que afaga e fascina como poucas músicas fazem tão bem” (Cinco Músicas Imperdíveis de 2018)

Luiza Lian por Luiza Brina

O que Luiza Lian tem de melhor?

Gosto de pensar que, apesar da Luiza ter um reconhecimento – justo – enorme pelo trabalho visual que criou junto à sua música, seu trabalho está para muito além desse apuro imagético. Pra mim, o que a Luiza vem construindo de mais sólido é um universo musical muito próprio, uma sonoridade e composições ímpares dentro da produção contemporânea brasileira. Acho que falar dela é falar, sempre, de uma grande compositora antes de mais nada. Para mim, suas melodias remetem constantemente ao universo das manifestações populares do Brasil – seus caminhos melódicos me lembram as cirandas de Recife ou as toadas dos bois do Maranhão. Sei que ela tem uma ligação forte com o umbandaime, e acho que muitas das letras e das melodias das suas canções carregam com muita delicadeza esse universo como referência. Ao mesmo tempo, o trabalho da Luiza traz a música eletrônica e experimental para um primeiro plano, de uma maneira única. E existe um cuidado gigante com os timbres, com o uso de samples, com a produção musical – assinada pelo Charles Tixier, seu parceiro também nos shows. O que mais me chama atenção no trabalho dela é a junção dessa canção muito brasileira com o eletrônico/experimental, de uma maneira fantástica, um encontro entre melodias desse chamado Brasil-profundo com o eletrônico, sem fazer com que a canção se perca no caminho. 

O que o trabalho dela te lembra?

É difícil dizer isso, porque acho o trabalho dela muito único. Mas acho que e algo que transita entre Lia de Itamaracá com Trevor Wishart. Algo um tanto terreno, um tanto sagrado, e um tanto galático.

O que o trabalho de vocês duas tem em comum?

Acho que se eu fosse pensar numa intercessão, ela teria o sagrado como foco. Tem algo de religioso nas nossas canções, mesmo que indiretamente. Talvez cruzemos algumas referências, também, em relação ao desejo: um olhar pra produção setentista, por exemplo, mas com apontamentos para o futuro. O nome do meu terceiro disco, Tenho Saudade mas já Passou, é inclusive é uma brincadeira com isso.

Como seria uma parceria entre vocês?

Acho que seria bastante brasileira. Brasileira pensando num Brasil que ultimamente tem sido difícil vislumbrar, mas que de alguma forma a gente carrega. O da conjugação de universos, de encontros, sincrético. 

Curta mais da série Um Por Um no Música Pavê

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