Anná Reuniu 25 Anos de Questionamentos em “Colar”

foto por filipa aurélio

“O que significa ser eu nesse instante?” é a pergunta que Anná faz a si mesma “a todo momento”, como ela contou ao Música Pavê. Como não poderia deixar de ser, seu primeiro disco é sobre isso, seja a “busca dessa resposta ou de novas perguntas”.

Colar traz experimentos da artista com diversos estilos e gêneros musicais, principalmente dentro da música brasileira contemporânea. É um reflexo da multiplicidade de vivências e reflexões que Anná reuniu em uma só obra. “Passei 25 anos pensando como o álbum seria”, comenta ela, “e, agora que ele nasceu, é como um barco que se soltou e estamos vendo aonde ele vai”.

Seu lançamento aconteceu em agosto, depois de muitos meses de adiamento. “Já estava tudo pronto há muito tempo, com show marcado no SESC Pompeia, e aí veio a pandemia”, conta Anná, “meu filho começou a apodrecer na minha barriga. Eu ouço as músicas e já não me identifico, porque eu sou uma pessoa que muda muito rápido. Se eu fosse lançar quando acabar a pandemia, ou quando tiver show… até lá, eu já vou ser uma ciborgue, um avatar (risos)”.

“Houve muita pressão para não fazer isso – onde já se viu lançar um disco na pandemia, né? -, mas seguimos contra todas as estatísticas”, comenta a cantora. Ela acredita que lançá-lo agora foi também “uma oportunidade de sair da pandemia do jeito que entrei: Em movimento, acreditando”.

Essa atitude denota muito da obra, que ela descreve como “um disco de questionamentos”. Assim como ela ilustra no clipe Sobre Rosa, sua intenção é a desconstrução: “Quis ressignificar o feminino frágil, belo e pleno, quando na verdade a gente se fode pra caralho. A rosa, por exemplo, simboliza muito o feminino. Por que tanta rosa, por que mulher tem que gostar de flor?”.

A experiência de observar a recepção de Colar nesse seu primeiro mês de vida – ou melhor, “por onde o barco vai” -, mostra que Anná não está sozinha em seus questionamentos. Entre comentários como “esse disco estourou minha cabeça” e “ele expandiu meus horizontes”, a artista comenta que “as pessoas estão respondendo que sentiram o que eu queria que elas sentissem. Essa foi a maior bruxaria que eu já fiz na vida (risos)”.

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