Surf Folk com Sotaque Baiano

O surf deve ser o mais folk de todos os esportes. Ele é contemplativo, envolve o homem com a natureza e permite, mais do que – talvez – qualquer outra modalidade, uma entrega maior da alma na atividade de se manter de pé em meio ao incontrolável.

Eu pensava nessas coisas durante o show de estreia de Som do Mar, novo disco do músico baiano Pablo Dominguez. Ele combina sua influência do folk rock com uma levada praiana meio naturalmente reggae, meio pop, com letras românticas e saudosistas de quem se mudou para São Paulo e não tem mais o oceano à distância do querer vê-lo. Vibe bem boa.

“Esse disco é o retrato e as descobertas do dia a dia de um cara que acabou de juntar os panos com a mulher da sua vida e foi morar longe do mar numa megalópole que não para” – é assim que ele explica seu novo trabalho, o sucessor de Um Dia Desses (2010), disco que teve a música Saudade entre as mais tocadas nas rádios do país.

Pablo é o tipo de artista que cuida das minúcias de sua música. Em Som do Mar, tudo foi gravado e mizado em seu apartamento na Vila Mariana (São Paulo) e até as duas fotos que estampam capa e contra-capa do disco são do seu Instagram. A da frente mostra a praia e a do verso, a vista da cidade cinza.

Por mais distante do litoral que esteja, Pablo sabe cantar o mar de cor – o que faz com que essa declaração de amor seja ainda mais sincera. Não é uma paixão pelo oceano em si, mas pelo modo de vida folk que é tão difícil levar na metrópole e que o contato que se tem com água quando em cima da prancha simboliza.

E ele é um cara tranquilo, daquele que dá um sorriso e troca três palavras e você já quer ser amigo. Aliás, amizade ele faz aos montes. Seus convidados no show de estreia (Ivo Mozart, Pablo Grotto, Rub e Ivan Pilla), que aconteceu no início de novembro, eram cheios das declarações de carinho por ele, algo fácil de entender.

Quem também tocou naquela noite foi a Vivendo do Ócio, com quem Pablo escreveu Nostalgia, que ele diz ser sua melhor composição até hoje. Além disso, o baixista Luca Bori o acompanha nos shows, junto ao tecladista Mario Camelo (da Fresno) e Thiago Guerra (A Serviço do Rei).

Pablo Dominguez faz música ensolarada cheia de sorrisos, saudades e romantismos. Dá pra sentir a pegada convidativa do mar para você pegar a prancha, dar um mergulho ou apenas molhar os pés. Vale ouvir.

Você pode baixar gratuitamente o disco Som do Mar no site oficial de Pablo Dominguez.

Shuffle

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