Entrevista: Supercombo

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Rogério está entre nós. O quarto disco da banda Supercombo foi lançado no mês passado e vem chamando a atenção do seu público, seja pelas peculiares letras – uma das características mais conhecidas do quinteto formado por Léo Ramos, Pedro Ramos, Carol Navarro, Paulo Vaz e Raul de Paula –, seja pelas músicas de fato ou, até mesmo, pelo nome do álbum.

O título surgiu daquelas brincadeiras que têm um fundo de verdade. A temática do disco discute o lado ruim, que de alguma maneira, todos os seres humanos possuem. Personificar esse lado ruim foi o que fez Rogério nascer. Podemos dizer também que ele trouxe um lado mais maduro e experimental do grupo – visto as faixas Magaiver e Embrulho –, sem deixar de lado elementos já característicos do pop rock feito pelo grupo – por exemplo, as músicas Bonsai e a faixa-título.

Outra coisa boa de Rogério são os músicos e amigos que vieram juntos. Participações de nomes como Gustavo Bertoni (Scalene), Emily Barreto (Far from Alaska), Negra Li e Sérgio Britto (Titãs), entre outros, colocam suas vozes no disco. Em meio a tudo isso, conversamos com a baixista Carol Navarro sobre o atual momento que Supercombo vive.

Música Pavê: Vou pular a pergunta sobre quem é Rogério porque isso nós já sabemos. Mas queria saber: nós somos Rogério ou estamos Rogério?

Carol Navarro, Supercombo: Nós somos e estamos né? Depende do momento, depende de quem. Tem gente que é Rogerio sempre, tem gente que luta contra o seu Rogério.

MP: O que motivou a banda a tratar deste tema?

Carol: A Supercombo sempre tratou de temas cotidianos e de autoanalise. Não seria diferente agora no novo álbum.

MP: Quais foram os desafios de se fazer um álbum com uma temática amarrada?

Carol: Todo o conceito do disco veio surgindo aos poucos. A ideia de amarrar o tema nas músicas e passar isso para a arte foi tudo muito conversado. Tivemos ajuda de Juarez Tanure, o designer responsável pela arte do disco e também responsável por quase todas as artes da Supercombo. Tudo foi acontecendo e o link da temática se amarrou por si só.

MP: O que vocês procuraram fazer em Rogério que foi diferente de Amianto?

Carol: Esse disco nasceu com uma união mais fortificada da banda. A turnê do Amianto possibilitou isso para a gente. Trouxe mais ideias, tanto para composições, quanto para a arte e, também, para levar isso para os palcos.

MP: Há também uma diversidade nas sonoridades que a banda explorou. De onde vieram estas influências?

Carol: Cada um tem suas influências e suas peculiaridades. Acredito que isso só acrescentou nessas novas composições. Tanto para o que cada um escuta individualmente, quanto para o que a cena, os amigos de bandas trouxeram para nós como experiência.

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MP: Esse é o segundo disco desta formação da banda. Por que ela deu mais certo que as outras, se assim podemos dizer?

Carol: Não digo que é o que deu mais certo, mas podemos dizer que, devido a essa união que citei, fez com que a gente se equilibrasse mais. Pensar na banda como um trabalho diário, executar nossos objetivos de forma mais concreta… fez com que esse disco soasse mais profissional. Todo o meio que estamos vivendo está enxergando isso. Não só Supercombo, mas muitas outras bandas que estão vivendo esse momento e compartilhando dele com a gente, estão focados nisso. É tudo fruto de muito trabalho e união.

MP: Lembro-me de ouvir vocês falarem que Amianto foi Léo + Supercombo. Como foi o processo de composição de Rogério? O disco foi o mais colaborativo da banda?

Carol: Léo é o pensador e idealizador nato da banda. Ele continuou como produtor fundamental, mas todos estão e estiveram muito envolvidos em todo o processo de criação. A criação de Rogério está em cada acontecimento das nossas vidas.

MP: A percepção que tenho é que a banda está com uma autonomia muito grande do que está fazendo. Ao que vocês atribuem isso?

Carol: Estamos mais calejados nessa questão business que envolve a música hoje. Não era como antes, quando grandes gravadoras idealizavam o projeto todo e impulsionavam a banda para o sucesso. Hoje em dia não é mais assim. Você tem que ser artista, tem que ser pensador, tem que botar em prática, tem que sair para a rua, conversar e conhecer pessoas. Estamos na era digital da música, não vendemos mais discos. As pessoas escutam teu álbum por streaming, é tudo muito rápido e descartável. A autonomia está ai. Está em te conhecer e botar isso para andar. Você é teu próprio empresário. Contamos com parceiros, como a Elemess, uma extensão da Supercombo em que todos trabalham para um bem comum.

MP: O que todas as participações especiais do álbum simbolizam para o atual cenário do rock brasileiro?

Carol: Eu só consigo enxergar que têm muitas bandas boas. Muitas pessoas talentosas e que estão gerando ótimos conteúdos. Fazer esse disco dessa forma colaborativo só nos deixa honrados e faz a galera enxergar que tem mais um monte de gente boa por ai vivendo desse meio. Essa galera somos nós, somos a extensão deles e eles a extensão da gente.

MP: Por fim, como tem sido a recepção dos fãs a Rogério e quais os próximos passos?

Carol: É interessante ver as teorias de conspiração do Rogério. E isso é demais. É isso que a gente queria. Queremos ver a galera pensar, refletir sobre nossas ideias e colocá-las para si. É essa reflexão que quisermos dar. O próximo passo é continuar trabalhando Rogério, levar isso para os palcos. Queremos dar essa mesma temática, essa mesma intenção no que a gente sabe e gosta realmente de fazer que é tocar ao vivo.

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