Ao Vivo: Amy Winehouse

Num show que marca a volta de Amy Winehouse, quem chamou a atenção foi Janelle Monáe com sua aparição destruidora e a simpatia de Mayer Hawthorne com sua animadíssima apresentação para o Summer Soul Festival em Florianópolis.

Mayer começou tudo, vestido de terno e logo deixou de lado o paletó para mostrar como o calor estava de matar. Iniciou a trilha sonora da noite com Your easy lovin’ ain’t pleasin’ e não parou de animar a galera. Após contar uma piadinha sobre ser confundido com Tobey Maguire no aeroporto e lhe pedirem autógrafo (e os dois são realmente parecidos), tocou Maybe so Maybe no,  um dos sucessos do recente CD. Cantou Beautiful, Mr Blue Sky, fez cover de Snoop Dog com Gansta Love e finalizou com a triste Just ain´t gonna work out.

Janelle chegou debaixo de um manto preto cantando um rap de Overture, após uma projeção no fundo do palco que divulgava seu novo CD, ArchAndroid, e fez um medley com Dance or Die e Faster. Ao final dessas, sai do palco para ajustar seu topete (o mais badalado do momento), desarrumado devido à intensidade que cantava e dançava. Conseguiu tirar gritos e palmas da multidão no cover Smile ao soltar sua voz à capela para 12 mil pessoas. Fez menção à arte ao pintar um quadro no palco em Mushroom and Roses, pintura já feita em outros shows. Já descabelada, finaliza com Cold War e Tightrope, tirando gritos da galera, e meus também, afinal não é todo dia que se vê uma diva em ascendência cantar em seu país.

Amy veio com sua banda, ornados com uma bandeira do Brasil ostentando o nome da cantora, nem bem chegou na beira do palco e cuspiu o chiclete na vala que separa o público do artista. Nossos olhos não acreditavam no que viam, era ela mesma. A mesma maquiagem nos olhos, o cabelo enrolado quase como era antes, uma magresa anoréxica num vestido rosa bem justo que por vezes quase deixou seus seios à mostra. Iniciou o show com Just Friends e a platéia vibrava. Back to black foi um coro geral, seguida de Tears Dry On Their Own. Nesse meio tempo ela “achou” uma garrafinha dágua atrás da caixa de som e enquanto cantava tentou pegá-la. Abriu e tomou. Mostrou para o público e disse: “É só água, não se preocupem.” Meio cambaleante, falou com o guitarrista e saiu do palco sem dizer nada. A banda então começou a tocar, trazendo um suspense do tipo “Será que ela volta?”. Então o backing vocal Zalon soltou a voz. Em seguida ela retorna ao palco e toca seus sucessos como Loving is a losing game e Love is blind, apresentou a banda em seguida, mas não sabia o nome dos músicos, tendo que pedir ajuda ao guitarrista. Deixou Zalon cantar novamente, e nesse momento foi se juntar ao outro backing vocal, para não ficar sobrando ali no palco. Depois sentou-se no tablado da bateria e ficou admirando – ou só viajando mesmo – olhando Zalon tomar conta do show, mesmo que temporariamente. Soltou a voz em Rehab, levantando a galera novamente, cantou You Know I’m No Good e saiu do palco junto com a banda. Todos aflitos e eis que ela volta com Me and Mr. Jones e finaliza com Valerie, emocionando a multidão. Meio cambaleante, acena para os fãs que ainda estavam perplexos de ver um dos maiores ícones da música pop mundial ali, pertinho, há alguns passos.


*Miguel Pesch é um parnanguara que habita em Curitiba. Só consegue acordar cedo para jogar algum tipo de bola – de handebol a hóquei na grama. Estuda química e suas preferências musicais tendem à depressão – como Radiohead e Coldplay – ou às belas vozes, como Alicia Keys, Sia e Norah Jones. Essa foi sua primeira colaboração no Música Pavê.

Shuffle

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One Comment on “Ao Vivo: Amy Winehouse

  1. Ando satisfeito com as críticas que se levantaram depois dos shows da Amy por aqui, sobre o descaso de alguns artistas com nosso público que paga sempre MUITO caro. Pelo menos, nesse caso os outros artistas de apoio seguraram a bronca, mas ficar sentada no palco é um papelão. E os fãs se contentam com pouco, claro, estão apaixonados.

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