Qinhones – Há Festa (Corpos Celestes)

Talvez seja um pouco “acadêmico demais” fazer esse tipo de análise e de provocação, mas ainda assim pergunto: A que tipos de estímulos nós estamos abertos quando andamos pelas ruas? O que percebemos? O que deixamos de perceber? O que deixamos nos afetar? Quais ausências a gente deixa que sejam produzidas? Como isso tudo afeta o nosso movimento? Como nosso movimento expressa a nossa liberdade?

Certamente há muitas e muitas respostas pra essas poucas perguntas. E justamente por isso que é muito satisfatório assistir ao clipe de Há Festa (Corpos Celestes), o primeiro de Centelha, o mais recente álbum do cantor e compositor carioca Qinhones. A obra dirigida por Antonio Leote Arraes é uma celebração do urbano, uma lembrança de que a liberdade é algo que desafia e questiona. É algo que casa bem com o disco, principalmente no contexto em que ele foi lançado – ali em outubro de 2022, pleno mês de eleições, e o tanto que a gente queria voltar a ser sem sentir tanto medo.

Se antes da pandemia a gente pudesse olhar pra esse videoclipe e achá-lo um pouco “cringe”, agora a experiência de vê-lo acaba sendo provocadora, instigante. Não de, necessariamente, repetir os movimentos do ator Pedro Roquette Pinto (que não é dançarino, uma escolha intencional na concepção do clipe), que, por sua vez, sofre intervenção do grande Wilson Rabello (que esteve em Bacurau) e só a partir daí começa a dançar. Mas de se sentir instigado pelo ambiente, pela cidade, pelas pessoas. Se sentir ativado por elas. O que a gente tá perdendo e deixando de fazer e que poderia, no fim das contas, nos deixar ainda mais livres?

O quanto o mundo ainda nos sufoca? Em que tipo de mundo queremos viver?

Avaliação MP:  4/5 ★★★★☆ 

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