Plural e Sincero: As Facetas de IVYSON

Encarar as inquietudes da alma nem sempre é uma tarefa fácil, mas o cantor pernambucano IVYSON parece ter uma sensibilidade singular em traduzir essas emoções turbulentas que deixam um nó na garganta. O Outro Lado do Rio, disco de estreia da carreira, lançado no dia 10 de junho, confirma isso ao escancarar os sentimentos mais intrínsecos ao artista e dialogar com vivências dolorosamente reais. 

“O fato de ser uma pessoa que absorve muito do que está ao meu redor, me fez conseguir transmitir sensações e pensamentos que trazem um certo acolhimento a quem ouve. Mostrando além do IVYSON artista, mostro o ser humano, que sente, sofre e supera”, reflete o cantor em entrevista ao Música Pavê

Embora ainda esteja construindo sua discografia e O Outro Lado do Rio seja apenas seu primeiro álbum de estúdio, IVYSON mostra que sabe como explorar seu talento enquanto letrista para compartilhar diferentes experiências. Com delicadeza, consegue criar um espaço despojado para o ouvinte se sentir confortável — e, na maioria das vezes, identificar-se com as palavras cantadas.

Todos os elementos ao redor do projeto de estreia do artista pernambucano dão um tom poético para as verdades muitas vezes embaraçadas: dores, amores e despedidas. “Na capa do álbum, quis retratar o caminho percorrido até chegar ali. Os destroços espalhados remetem às fases que passei, e a porta é o caminho que ainda preciso percorrer. A identidade anda lado a lado com o contexto de todo o projeto”, comenta. 

Para além das temáticas carregadas, há uma forte mensagem entrelaçada ao título do disco que atesta: Existe esperança do “outro lado do rio”. “Quando comecei a escolher as músicas, percebi que as letras se ligavam através da palavra ‘esperança’, a partir disso, fui usando isso a favor do conceito por trás do álbum de ter as letras conectadas em um só universo”, fala o cantor. 

IVYSON completa sobre a história que acompanha o álbum: “Realizar um sonho e perceber que está na sua melhor fase, para mim, é se encontrar. No outro lado do rio, tem esperança, superação e amadurecimento. E o disco é exatamente sobre isso, é a conclusão de uma trajetória e o início de outra”. 

Uma viagem sonora

Apesar das líricas com verdades muitas vezes indigestas, a sonoridade é um misto de elementos que leva o ouvinte para um cosmo dolorido, mas dançante e com sons envolventes, incluindo seu marcante funk indie. Faixa em parceria com Mathias, Me Chama pra Dançar soa como um convite do cantor para quem está escutando, e é a representação mais fiel dessa identidade.

A pluralidade e sinceridade de O Outro Lado do Rio reforçam a ideia de se afogar nas próprias mágoas, mas sem perder o gingado. “Amo a ideia de ‘sofrer dançando’ e sinto que tava faltando músicas assim no meu repertório. Acompanho artistas que fazem isso com maestria, então não podia perder a oportunidade de fazer a galera dançar chorando”, brinca. 

Segundo o próprio compositor conta, as influências musicais passam por estilos como samba rock, pagotrap, MPB, pop, porque IVYSON quer trazer tudo o que ouve ao seu trabalho e acha “graça nessa mistura de sons”. Há, portanto, uma brasilidade quase mágica que ecoa culturas, estilos e histórias. 

O cantor analisa: “Sempre fui influenciado pelos gêneros musicais brasileiros. Acredito que por ser nordestino e desde sempre ter sido influenciado a ouvir as canções daqui, era muito comum ouvir uma ciranda, maracatu ou até mesmo forró em minhas composições. No álbum, não foi diferente, tem toda essa carga brasileira que trago comigo”.

O florescer de IVYSON

Sua história com a música começou em 2014 quando os amigos começaram a incentivar IVYSON a compartilhar suas canções autorais no YouTube — e, despretensiosamente, assim o fez. Gradualmente, passou a se enxergar enquanto artista. 

Anos depois, em 2019, lançou a mixtape Poemas Para Quem Chora com ajuda dos fãs a partir de uma campanha online. Logo nesse trabalho, esboçou sua facilidade em traduzir sentimentos, e a faixa Girassol (IVYSON + Templo Sonoro + Jovem Ralph) foi um grande destaque dentro do streaming. No Spotify, por exemplo, são mais de 2 milhões de streams na faixa. 

Após seu primeiro projeto artístico, passou a trabalhar integralmente com música, lançando um EP no início do isolamento social por conta da pandemia de covid-19, e Retalhos foi resultado de uma produção caseira. Mas, é claro, como o cantor conta: “Sempre tive vontade de lançar um álbum repleto de músicas autorais, que contassem histórias que as pessoas pudessem se identificar”.

“Em 2021 tive a oportunidade de poder trabalhar em um álbum, mesmo com pouco recurso e apoio financeiro. Criamos toda a história por trás do álbum baseado em canções e pensamentos que construí nesses poucos anos de carreira. Por ter vindo de família pobre, sempre foi mais complicado executar trabalhos e afins, e pus nas letras minhas dificuldades, vivências, erros e acertos e fé por dias melhores”, revela. 

O Outro Lado do Rio marca, portanto, um momento significativo da carreira do pernambucano. Ele reflete: “Esse álbum retrata um IVYSON forte e cheio de vontade de ganhar o mundo com sua música. […] A sensação é de missão cumprida. Poder ouvir meu trabalho e encontrar nele referências tão marcantes de quem sou me deixa muito empolgado para tudo que ainda está por vir”. 

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