Coletânea: Daft Punk

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“Bring life back to music” – chega de modinhas, de tecnologias mirabolantes ou mesmo de preocupações muito grandes com referências sonoras e influências de estilos: A música boa é aquela feita da maneira mais orgânica possível.

O interessante é que quem levantou essa bandeira em 2013 foi justamente uma dupla conhecida por sua artificialização/mecatrônica: Daft Punk. Seu Random Access Memories não foi apenas o disco mais falado do ano, como também ajudou a popularizar ainda mais a música eletrônica e levou muita gente a esse pensamento, principalmente quando o duo trocou os computadores por guitarra e bateria em algumas faixas.

Para celebrar a carreira desses dois franceses e o legado que deixou ontem e hoje, propomos um passeio por sua videografia. Veja se não é O Som de 2013.

##Da Funk (1996)

Da Funk é, de fato, o primeiro vídeo oficial do Daft Punk. Estreou como primeiro single do bombástico Homework, que também é o primeiro álbum de estúdio do duo francês, lançado pela Virgin Records. E, ele é dirigido por ninguém menos que Spike Jonze, assim, logo de cara. Conhecido por desconstruir a lógica dos roteiros, Jonze traz um personagem antropomórfico, que caminha por um bairro de Nova York, sem deixar seu boombox desligar. E esse roteiro, que durante quase duas décadas deve ter sido assunto em muita monografia sobre subliminaridade, é, segundo o próprio diretor, nada menos que uma história sem mensagem, sem contexto e sem explicação. (Cristiano Hackl)

##Around the World (1997)

A grande bomba do final do milênio foi esse clipe. Brincadeira, mas, sério, como não amar? É até hoje um dos maiores vídeos musicais de todos os tempos, se não o mais expressivo de uma lista muito seleta de produções memoráveis. Lançado em 1997, dois anos após a estréia de Homework, o vídeo é essa deliciosa mistura de personagens reunindo insetos, mortos, vivos e seres alienígenas convivendo, passado e futuro, em um pequeno e apertado planeta, onde as hierarquias se confundem conforme as eras. Viajei na semiótica. Michael Gondry, conhecido por um certo minimalismo nas produções e um roteiro excêntrico/brilhante é responsável pela direção, com coreografia de Blanca Li. (Cristiano Hackl)

##Burnin (1997)

Burnin é um clássico, bem a cara dos anos 90. Cores saturadas pela iluminação forçada, que fazia o brilho do sol parecer água de salsicha, e a penumbra da noite, brilhando tanto quanto a pista da balada às 5h da manhã. Porém, o vídeo presta uma homenagem ao Chicago House, um estilo mais bruto da música eletrônica e sua vertente, original dessa cidade  ainda nos anos 80. O filme conta a breve história de um garotinho que se torna bombeiro e, nos flashs da infância, encontra explicação para amar sua vida como herói sem fama. O enredo leva o personagem a uma festa privada, tão quente ao som da música, que os convidados não conseguem sentir o perigo de um incêndio iminente. Ah, a dupla aparece disfarçada no meio da galera. (Cristiano Hackl)

##One More Time (2001)

Em qualquer música eletrônica, o que vemos são vozes incrementadas, batidas remixadas e cordas emocionantes para embalar o movimento. Nada é muito real. Não se vê, por exemplo, o guitarrista entregando-se aos céus num solo profundo ou o vocal ali, ao vivo, botando a voz pra fora. Não é diferente para Daft Punk, que no clipe de One More Time, além de seus sons de máquina, enfatizou o não realismo da música recorrendo à animação para passar os passos da dança. Dá pra ver que seu certo. Impossível ficar parado. (Anna Rinaldi)

##Harder, Better, Faster (2001)

Dois anos depois do lançamento do primeiro filme Matrix, sua influência continuava bombando na cultura pop – e este vídeo é exemplo disso, com suas pessoas mantidas em “casulos” com imagens de uma realidade projetada em suas mentes, tudo controlado por robôs. Tudo é robótico, tudo é uma grande fantasia, assim como o som da dupla nessa época. (André Felipe de Medeiros)

##Robot Rock (2005)

Considero essa uma das músicas mais legais da dupla, o clipe, então, nem se fala. Eles estão cheios de energia, talvez até se sentindo rockstars. Mas o que mais chama atenção é a luz usada, com clarões vindos por trás deles, ressaltando quem são aqueles dois. O movimento de câmera, meio psicodélico, combina bastante com a luz. O gran finale é o cenário, que conversa muito bem com esses dois outros pontos, a claridão dos holofotes e o clima pesado da roupas e objetos em cena. Enfim, um clipe que não podia ficar de fora da coletânea. (Gui Moraes)

##Technologic (2005)

Sempre associei Technologic com pequenos pontos que ao poucos, com o desenvolver da batida, iam formando uma unidade, que se transformaria no que é a música em si, e seu clipe faz isso com as palavras e os cortes. Uma viagem que Daft Punk causa em mim. Porém, essa faixa em especial, me causa além da sensação já mencionada, uma outra estranha, que é ter a impressão de estar ouvindo meu computador cantando. (Rômulo Mendes)

##Lose Yourself to Dance (2013)

Get Lucky ganhou a fama e conquistou o coração da juventude, mas, particularmente falando, a obra prima do Random Access Memoriess é Lose Yourself to Dance.  Seja em termos técnicos, energéticos, dançantes, tudo. É o single que representa a volta da disco na sua essência e sem falar que toda a vibração contida na sua batida me faz querer morar nessa canção, vivê-la intensamente. E você vê o clipe, com toda aquela comoção dançante em torno de uma banda, não de uma mesa de DJ, e ele te passa exatamente isso. Por um mundo mais Lose Yourself to Dance já! (Rômulo Mentes)

Curta mais de Daft Punk e do especial O Som de 2013 no Música Pavê

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