Sobre “Cícero & Albatroz” ao vivo

Eram duas as dúvidas que cercavam o show que Cícero e sua banda Albatroz dariam ao seu recém-lançado Cícero & Albatroz: Como as músicas que ouvimos com tanta força no disco ficariam no palco e como elas dialogariam com o restante da discografia do músico. A apresentação realizada em São Paulo no dia 20, no Cine Joia, tratou de responder – e satisfazer – o público quanto a essas ou quaisquer outras questões que poderiam aparecer acerca de seu trabalho.

Foi a segunda vez que essas músicas foram apresentadas – a primeira havia sido uma semana antes, no tradicional Circo Voador (RJ) -, e não é arriscado afirmar que o show, ainda que bem ensaiadinho, crescerá ainda mais ao longo dos próximos meses. Por ora, o que vemos é a dinâmica que gerou o disco sendo concretizada ali na nossa frente, um diálogo entre músicos amigos empolgados em fazer música. Após um início de noite marcado por complicações técnicas (que contrastou com a pontualidade impecável com que eles subiram ao palco) e pedidos de “aumenta o som!” vindos da plateia, a apresentação engatou e cresceu consideravelmente em qualidade, animação e interação.

Se Cícero & Albatroz era a estrela da noite, todos os outros discos deram as caras sem timidez – A Praia logo foi citado, Sábado chegou em seguida, incluindo um arranjo mais “Albatroz” para Capim-LimãoCanções de Apartamento, deixado “sacanamente” para a segunda metade do show, arrancou sorrisos, cantos e lágrimas de um público apaixonado. A grandiosidade que os dois Albatroz – disco e banda – trouxeram à performance das músicas conseguiu deixá-las ainda mais envolventes e empolgantes, dignas de palcos ainda maiores.

E o que mais ficou da noite, mesmo com tudo isso acontecendo, foi o lembrete de como as composições do músico falam alto mesmo quando usam poucas palavras. A poética cotidiana com que Cícero trabalha consegue impactar a mais mundana das frases, situações e figuras de linguagem, seja ao trazer saudades, sextas-feiras ou até caminhões de gás, e ver a plateia levantar os braços na hora de cantar mais alto algum desses versos só reafirma a conexão bastante pessoal que se estabelece com sua obra – a característica que faz um show ótimo, como foi esse, virar uma experiência bastante imersiva, emocionada e quase espiritual.

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