Ventre em Três Momentos

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Conheci Ventre há mais de oito meses, quando o querido Guilherme Canedo entrevistou o trio para o Música Pavê, mas só agora pude ter um contato pessoalmente com a banda – e isso rolou três vezes em apenas uma semana, durante sua passagem por São Paulo -, o que serviu para eu ter certeza que estamos diante de uma das bandas que mais merecem nossa atenção hoje em dia.

Não quero ser redundante e reapresentar os três (o Gui já fez isso muito bem), então prefiro só contar como foram esses últimos dias. Tudo começou em uma das noites mais memoráveis do ano, na qual Cícero e Baleia dividiram o palco do Cine Joia, em São Paulo – dois shows obrigatórios (fica a sugestão). No meio da apresentação do músico, Gabriel Ventura (guitarrista da banda que o acompanha) recebeu Hugo Noguchi e Larissa Conforto para uma aparição surpresa (embora os mais atentos já desconfiassem que isso aconteceria), na qual tocaram Carnaval.

A música é mesmo excelente, daquela de frios na barriga aos primeiros acordes e outros tantos arrepios ao longo de sua duração. Foi rápido, só um tira gosto das coisas que estão por vir – assim como era a sensação quando a música saiu no ano passado. Foi aí que conheci os três (uns queridos, como eu já havia sido avisado), com direito a bar depois e conversas sobre música e risadas até o amanhecer.

Dias depois, eles nos visitaram na redação do Monkeybuzz e batemos mais um papo sobre música – agora sobre a deles. Ainda não é hoje que eu vou contar o que eles disseram, mas vale dizer que foi muito bom poder conversar com a banda como um todo e ver a unidade com que os três encaram o projeto. Todos tem muita noção por trás dos conceitos, o que mostra que tudo que foi pensado e decidido para o seu primeiro álbum, que sai em breve, foi muito bem conversado.

Daí na sexta, 25, finalmente consegui ir a um show do trio, uma noite com mais situações adversas do que qualquer um poderia imaginar, a começar pelo local. Foi na Trackers, um dos lugares mais legais de São Paulo (talvez o mais legal, hein?), um andar inteiro em um prédio do centro onde tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo – DJs, shows, sofás, graffitis e varandas. É onde você quer estar (voltarei várias vezes, tenho certeza), mas o público se divide entre as tantas atrações e não há comunicação sobre que horas e em que lugar cada coisa vai acontecer. Ventre ia tocar às 2 da manhã, mudaram pras 4 e, no fim das contas, tinha pouca gente pra ver. Uma lástima.

Mas tem mais. Uns dias antes, uma unha da mão esquerda de Gabriel descolou (e ele é canhoto), o que fazia com que tocar guitarra fosse uma experiência bem dolorosa pro cara. Por falar em dor, Larrissa, a baterista, e Hugo, o baixista, foram atropelados (sim, isso mesmo) naquela tarde (às 16h20 no cruzamento da Ipiranga com a São João – isso precisa ser dito). Ele machucou justo a mão e ela, a perna. Foi nessa pegada de sobrevivência (sobreviventres, como Larissa brincou) que o show aconteceu.

E, caramba, que show foi aquele? Cada música era uma viagem diferente. É claro que Carnaval Pernas eu ouvi de outro jeito, porque eram as músicas que eu conheci, mas todas as que foram tocadas ali eram de fechar os olhos e viajar profundamente. Os três imprimem muita personalidade enquanto tocam, tanto na unidade do grupo quanto individualmente, o que faz você querer vê-los tocando, isso faz parte do espetáculo. Minha única reação, assim que eles terminaram de tocar, foi agradecer pela apresentação e pedir por favor que o disco saia logo.

Se Ventre faz um show desses em situações tão adversas (isso porque ainda não comentei dos bêbados inconvenientes das quatro e tanto da manhã e da bateria da casa, que ficava andando enquanto a banda tocava), não consigo nem imaginar quanto uma performance em condições ideais deve ser. Porém, sinceramente, se for exatamente assim, já é melhor do que o suficiente.

Me despedi dos três, desejei boa viagem e desejei mais ainda que nos víssemos logo para mais música boa assim. Por favor, participem da minha ansiedade para o álbum.

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