Tame Impala: Psicodelia Reinventada

A definição da palavra psicodélico consiste em “aquilo que está sobre efeito ou ação de um alucinógeno ou droga”, e no Rock, nos anos 1960 e 1970, um subgênero do estilo musical marcou presença e se tornou popular através de artistas como The Doors e Jimi Hendrix, sendo classificado como Rock Psicodélico. Esta classificação se deve ao uso frequente de drogas pesadas por parte dos artistas do gênero que procuravam, através de suas canções, passar as sensações provocadas pelos entorpecentes em suas geniosas mentes.  Mas, e atualmente, em pleno 2012, como se daria este estilo do Rock? Com tantas drogas sintéticas e fortemente destrutivas que temos hoje, no mínimo musicas bizarras e barulhentas seriam feitas. Mas não foi isso que pudemos perceber através de uma nova cena do Rock Psicodélico existente nos dias de hoje  lá na distante Austrália, mais precisamente na cidade de Perth, de onde surgiu uma das mais influentes bandas desse novo movimento no cenário rockeiro mundial: Tame Impala, que ganhou mais destaque ainda com o lançamento do álbum Lonerism, em outubro deste ano.

Liderada pelo brilhante Kevin Parker, que além de guitarrista, vocalista e compositor da banda, também produziu o belo álbum lançado em 2012 pela banda que reinventou o clássico Rock Psicodélico de uma forma interessante e que ao mesmo tempo soa como velho e novo, colocando à tona a pergunta: sob o efeito de quais entorpecentes as viajantes canções foram feitas? A resposta é que o resultado foi obtido mesmo por uma das dores que mais martelam na cabeça da humanidade no nosso mundo contemporâneo: a individualidade. Nas canções de Lonerism (que, observando pelo titulo do disco, retratam essa condição), está um individuo estático, que observa o mundo girar e ruir em meio a crises, acelerado, onde não há mais tempo pra nada e muito menos para os outros. Foi nesta piscina de insatisfação e individualidade que Kevin Parker gravou e produziu este disco dentro de sua casa, mas que também contou com gravações de alguns vocais dentro de um avião que ia de Cingapura para Londres e algumas guitarras em um Hotel de Viena, na Áustria o que pareceu aos nossos ouvidos um tentativa de expressar as dores deste mundo perdido e sem foco, mas que serviram de base para a concretização do belíssimo trabalho. O disco é composto por doze faixas que expressam e definem esta nova cara do antigo subgênero do Rock, com uso exagerado de teclados e samplers, guitarras reverberadas e sujas e uma bateria que parece ter sido gravada com um único microfone – toque final que deu o disco uma cara de velho, mas ao mesmo tempo novo, flertando com o Rock Alternativo dos anos 2000.

Tame Impala marcou o musicalmente positivo ano de 2012 com um disco que  foi capaz de mostrar os reais anseios e questionamentos do novo Rock Psicodélico, se tornando um ícone desta nova onda surgida na terra dos coalas. Lonerism não é só um belo disco, a banda com seu som nos conectou ao passado sem deixar de lado o presente. É como se ao atravessarmos a linha internacional de Data no Pacífico, partindo da Austrália, não voltássemos um dia somente, mas mais de 40 anos.

Curta mais de Tame Impala e da série Marcou 2012 no Música Pavê

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