Sinta o Pulso: Ameaça com Marisa Monte

Não vá pensando que determinou
Sobre o que só o amor pode saber
Só porque disse que não me quer
Não quer dizer que não vá querer
Pois tudo o que se sabe do amor
É que ele gosta muito de mudar
E pode aparecer onde ninguém ousaria supor

Só porque disse que de mim não pode gostar
Não quer dizer que não tenha do que duvidar
Pensando bem, pode mesmo
Chegar a se arrepender
E pode ser então que seja tarde demais
Vai saber?

É o que digo: não se deve aceitar as músicas do jeito que vêm. Apesar do que soa, esses versos não sofrem: ameaçam. Nas entrelinhas “não me queres, mas isso é por enquanto. Cuida, que podes ainda sofrer em minhas mãos”. Um tanto pobre, pouco efetivo. Nao é por ressaltar o medo que se faz nascer amor a qualquer coisa. Já que amor é algo intrínseco, genuíno, solitário, ser vivo. Fecunda, nasce, demora, gesta, carece estar nutrido. Pior, vulnerável. Ainda, em instantes, talvez desapareça. Faço votos ao amor construído, voluntário, radical (raíz), sem nada que se obrigue. Vai saber? Como vai afirmar sobre este tal Entidade? Um vida-própria, é o que é. “Pois tudo o que se sabe do amor é que ele gosta muito de mudar”. Pensa em si o amor, nao dá para saber.

Penso nas coisas que deixamos de amar.  Perfeitas para o hoje, inúteis amanhã. Sumido o sentimento, cavamos interesse no que foi esvaído. “Só porque disse que nao me quer, nao quer dizer que nao vá querer”. Recíproca verdadeira: só por que amo hoje, nao quer dizer que será natural amar amanhã. Tudo ida-e-volta, vai saber?

Amor por tudo. Paixão fugaz. Músicas, fragrâncias, livros, lugares, assuntos, idéias, sabores e memórias. Segundos que viciam na gente, até de gêneros a nós pouco familiares. Imagino, fértil, uma chicória cantando estas palavras para uma criança fresca, que está para crescer. “Hoje, fazes esta cara de desprezo, prefere broncas de mãe a me engolir. Pois cuide, que quando resolver me provar, pode ser tarde demais”. Engraçado, rs.

Voláteis. É o que somos naturalmente.

Vai Saber? Marisa Monte

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