Precisamos Falar sobre Charli XCX

Melhor ainda do que se surpreender com um novo artista é aquele susto feliz que levamos quando alguém que você nunca deu muita bola apresenta um trabalho muito superior aos seus anteriores, assim como melhor do que a maioria do que vemos por aí. E o que aconteceu com Charli XCX ao longo de 2017, culminando no lançamento de Pop 2 em dezembro, a coloca como uma das principais referências para o filão eletrônico do gênero.

Pode parecer exagero, mas a trajetória da inglesa Charlotte Emma Aitchison ao longo dos últimos tempos foi a de uma coadjuvante de presença em músicas de sucesso – além de uma figurinha carimbada nos bastidores de nomes que vão de Sky Ferreira a Rihanna, até mesmo Blondie – para uma artista de grande fluência naquele pop mais contemporâneo, carregado de tendências eletrônicas e temas nem sempre muito presentes no mainstream.

Classificado como uma mixtape, não um álbum, Pop 2 consegue trabalhar uma ambientação densa e noturna em suas faixas, até mesmo quando utiliza poucos elementos – algo que agrada quem ouve desde Lorde até Grimes – em músicas de refrões fáceis e estruturas não muito fora do convencional, bem como se espera de uma canção pop.

Isso foi estudado ao longo do tempo por Charli, que migrou de um estilo mais gritado e rebeldezinho de fim de adolescência (como em Break the Rules) para esse novo som mais caprichado nas sutilezas, sem perder um humor bastante sagaz (como fez em Boys, uma das músicas pop mais legais de 2017). Foi essa maturidade que gerou a mixtape, que se aproveita desse rótulo para poder brincar com a sonoridade sem uma certa “seriedade” que um álbum traz à discografia de um artista. Dessa forma, Pop 2 vem como continuação de Number One Angel, lançada em março de 2017, porém com músicas um tanto inferiores às novas justamente pela falta de firmeza (ou experiência) nessa sonoridade.

Outro fator importante na nova mixtape, mais ainda do que na anterior, é o número de colaborações nas músicas. Oito das dez músicas trazem outros artistas de naipes bastante variados do universo do pop contemporâneo, de Tove Lo a Tommy Cash, de a Pabllo Vittar, passando ainda por Caroline Polachek (Chairlift) e até Carly Rae Jepsen.

Cada um deles traz seu sabor e sua textura ao todo, enquanto Charli faz as vezes de maestra que rege todos os elementos ao lado do produtor A.G. Cook. Mais do que nomes que chamam atenção como convidados na obra, eles ajudam a explorar as nuances que o pop mais lado-B pode trazer hoje em dia, de algo mais cheio de synths aos beats que impulsionam sozinhos os vocais.

O que fica é aquela sensação de que você pode colocar Pop 2 para alguém sempre que quiser explicar o que é a produção de um pop tão característico desta época, seja no futuro ou hoje mesmo. E, além disso, o lançamento impulsiona o nome de Charli XCX como um dos nomes mais relevantes do gênero hoje, com uma possibilidade de ascensão constante tanto em popularidade quanto em qualidade ao longo dos próximos anos. Vamos acompanhar, dançando e cantando junto.

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