O Melhor Clipe de 2012 (até agora)

Ao longo dos seis primeiros meses de 2012, resenhamos mais de 220 videoclipes para que os leitores pudessem apreciar cada vez mais dessas obras audiovisuais feitas para acompanhar as músicas. Cada um dos textos foi acompanhado de uma avaliação, baseada sempre nos mesmos critérios (adequação à música, apuro técnico, originalidade, identidade e a capacidade de te querer assistir novamente). Reunimos as 18 maiores notas e, dos dias 2 a 6 de julho, nossos leitores apontaram qual desses seria o melhor clipe do ano (até agora).

Acompanhando a votação, aprendemos que vocês tem muito bom humor, que prezam pelas imagens bonitas e que tem uma certa predileção pelas produções nacionais. Alguns favoritos dos leitores foram surpreendentemente pouco lembrados (como Feist, The Shins e Regina Spektor), enquanto clipes de alguns pouco conhecidos mostraram que merecem seu espaço.

Conheça os sete melhores videoclipes lançados entre janeiro e junho de 2012, escolhidos pelo público do Música Pavê.

#7 – Woodkid – Run Boy Run

A grandiosidade da produção, acompanhada de um primor técnico inquestionável no vídeo, faz desse um clipe que te faz perder o fôlego – quase uma última fase de seu jogo de videogame preferido, em um clima meio de pesadelo, meio de conto-de-fada. Emocionou e empolgou nossos leitores e garantiu seu lugar entre os mais votados.

#6 – Keaton Henson – Small Hands

Como se explica melhor a saudade do que mostrar a falta que alguém que se foi faz para quem ficou? É isso o que esse vídeo triste, tão triste, conseguiu fazer, através do uso de bonecos em um bonito cenário, um retrato sincero da mais pura melancolia da perda. A singela cena do coelhinho tremendo de frio entra para a história dos videoclipes como um dos momentos mais marcantes que ilustram a tristeza nesse formato. Uma vez visto, fica difícil de se esquecer.

#5 – Kylie Minogue – Timebomb

O casamento perfeito de vídeo e áudio. Foi isso o que o diretor Christian Larson promoveu ao montar uma produção que utilizou diversas câmeras e lentes para acompanhar uma situação qualquer da cantora pelas ruas e pelo estúdio, dançando e cantando. Poderia ser um vídeo qualquer de música pop, mas o cuidado com a linguagem de clipe – cuidando do som da mesma maneira que cuida do visual – e o primor com que tudo feito transformam assistir Timebomb em uma experiência videoclíptica que a gente nem sempre pode ter. Não à toa, foi um dos clipes mais bem votados pelos leitores.

#4- Explosions in the Sky – Postcard from 1952

Na Internet, os gifs animados foram uma maneira eficiente de misturar vídeo e fotografia, com aquele loop característico que nos deixa rever uma cena quantas vezes for preciso para que tenhamos aproveitado cada um de seus detalhes ao máximo. Com o avanço tecnológico que as câmeras tiveram nos últimos anos, os vídeos em alta definição criaram praticamente uma nova maneira de vermos uma imagem quase estática através do slow motion. Com isso tudo na bagagem, esse clipe conseguiu recriar lembranças que não temos, de épocas que não vivemos, em um clima nostálgico com imagens de uma beleza ímpar. Um daqueles casos em que seus olhos se enchem de lágrimas sem muita razão aparente. Nossos leitores não conseguiram ficar indiferentes e trataram de votar muito nessa produção desde o dia em que abrimos a enquete.

#3 – Foster the People – Houdini

A banda de Mark Foster surgiu em uma época em que, embora muitos ignorem, nossos conceitos do que é pop e o que é indie precisam de uma repaginada urgentemente, pois tem muita gente rotulando músicas com olhos preconceituosos e geralmente infundados.  Com a ajuda da (sempre ótima) dupla The Daniels, o grupo criou um videoclipe que discute com muito bom humor a situação dos artistas que são encarados como “posses” pelas grandes empresas da Indústria Fonográfica. Ver os rapazes dançando no vídeo confundiu as cabeças dos mais desatentos na época do lançamento, que comentavam pelas redes sociais que o trio tinha virado uma boy band, ao mesmo tempo que o show que a banda fez no Lollapalooza em abril mostrou aos brasileiros o quanto é possível fazer pop (ou “pop alternativo” como alguns sugerem) pode ser feita com muita qualidade, no mesmo nível desse clipe.

#2 – Nevilton – Tempos de Maracujá

Alguns bons trabalhos merecem reconhecimento por si só, por terem conseguido completar o desafio de realizar uma proposta complexa. Melhor ainda é quando podemos parabenizar alguém por ter feito um bom trabalho que, além de tudo, é muito divertido de se ver. É o caso dessa produção, que foi orquestrada por Edson Oda, e acompanha a pegada animada, pop e bem humorada da canção ao criar uma contagem regressiva coreografada por três atores enquanto o trio taca o inferno pelo cenário. Você precisa ver mais de uma vez não só porque fica difícil pegar todos os detalhes em um só play, mas também porque vale a pena abrir o sorriso duas ou três vezes ao acompanhar toda a ação no quadro registrado pela câmera estática. Fazia tempo que um clipe brasileiro não fazia tanto barulho em seu lançamento como esse fez em abril, deixando seu marco em 2012 como uma de suas melhores produções, dentro e fora do nosso país, na certeza que vai ser ótimo quando, daqui um tempo, o redescobrirmos, assistirmos e sorrirmos novamente.

#1 – Apanhador Só – Nescafé

Desde o momento em que abrimos a votação, o clipe da banda gaúcha figurou entre os mais votados e terminou a semana como o mais recomendado pelos leitores para ganhar o ouro. Qualquer ideia de explicar o fato com o número de fãs que o quarteto possui em todo o país é desmitificado assim que você dá o play no vídeo. Nescafé é envolvente e emocional desde seus primeiros segundos, nos quais a câmera se aproxima do músico Ian Ramil (co-autor da música), que aparece de costas, como o personagem que tem as lembranças ou fantasias que vemos dali para a frente. É aí que a produção revela belíssimos planos que acompanham diversos momentos, alguns cotidianos, outros bem especiais, de sete mulheres observadas pela câmera e pelo espectador, um pouco voyeur, um pouco em primeira pessoa. Assim como no clipe da Kylie Minogue, o áudio recebe uma atenção especial e sua edição, com alguns pequenos detalhes, ajudam a obra a evocar os mais diversos sentimentos e memórias em quem a assiste. No geral, é difícil ficar passivo ao acompanhar como as lindas imagens seguem a mesma vibe emocionada da música, o que nos faz ignorar qualquer falta de originalidade da produção, já que sua excelente qualidade prevalece ao fim da experiência de assisti-la. Marcou nossos leitores e, agora, marca a história do Música Pavê como o Melhor Clipe do começo de 2012.

Shuffle

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7 Comments on “O Melhor Clipe de 2012 (até agora)

  1. Apanhador Só não é o meu preferido nem de longe, mas é realmente um vídeo bacana. Mesmo! Só espero que esse resultado não tenha sido fruto de intervenção de fã-clube, o que faz perder a espontaneidade (mas, se for, tb não é culpa do site).

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