Mustache e os Apaches: Vamos pra Rua

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(Curta mais da série 2014 Define no Música Pavê)

Sem dúvida,s momentos marcantes acontecem quase sem querer em nossas vidas, e por meio dessa premissa encontrei a música da banda Mustaches e os Apaches em plena Avenida Paulista. Recordo que era um sábado à tarde, sol rachando, por volta das 14h, havia acabado de sair de um Pocket Show do cantor Leo Cavalcanti na Livraria Cultura. Estava encantado pelas músicas que ainda respiravam no meu ouvido e avistei um aglomerado de pessoas numa roda super simpática. A variedade de quem assistia os cinco rapazes tocando na rua era impressionante, o público alcançava todos os níveis de idades, encontrávamos crianças, idosos e adultos, aperitivos suficientes que me fizeram parar alguns segundos no local.

Confesso que o washboard, o instrumento não convencional tocado por Lumineiro, chamava bastante atenção. Porém, não demoraram segundos para já estar rindo contagiado com todos os integrantes sem sentir vontade alguma de sair daquele espaço. Era um privilégio: um show de graça acontecendo de repente com músicas arrebatadoras e não comuns na música brasileira, para não dizer a simpatia e humildade dos caras que foram o diagnóstico final para decretar que me tornará um fã do grupo, que até então não sabia o nome.

A música Twang foi suficiente para eu gritar mentalmente com um sorriso “isso é bom demais gente, onde consigo ouvir mais dessa sonoridade?”. Olhei ao lado deles tocando e percebi que havia no chão mesmo um chapéu abrigando um único CD – obviamente, todos já haviam sido vendidos. Fiquei no impasse de comprar por não saber direito como funcionava e, enquanto a dúvida girava, perdi a chance ao ver uma garota depositar o dinheiro pegando o último sobrevivente sonoro.

“Meus queridos e minhas queridas, foi um prazer inenarrável, imensurável a companhia de todos vocês”. Após esse discurso, saí do local enlouquecido e o primeiro acesso ao Google me deixou a par de toda a carreira deles. Uma banda que havia sido conhecida tocando na própria rua e que estava em vias de lançar um novo álbum. Nem percebi e já estava ouvindo o disco homônimo. Ainda timidamente, arriscava um entusiasmo com os pés, que inevitavelmente cada faixa ouvida me causava.

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De lá para cá, assisti a entrevistas, apresentações pela Internet, já cruzei com os caras pela cidade, sobretudo na Augusta, e inclusive já os vi na novela – cheguei a pensar que eles estavam em todas, literalmente. Contudo, ainda não consegui assistir a nenhuma apresentação ao vivo inteira. E já virou certa rotina me desencontrar com a agenda do grupo. Um desses desencontros aconteceu passando de carro em frente da reinauguração do Cinema Belas Artes. Sem acompanhar as informações dos shows na página no Facebook ainda, tive um misto de surpresa e raiva ao ver que os caras estavam se preparando para tocar lá. Recordo que, impossibilitado de descer e ficar no Cine, soltei um grito “Eita é os Mustaches e os Apaches e novamente não vou assistir”.

O legal é saber que, mesmo com notoriedade midiática, a raiz continua a mesma e certamente qualquer transeunte semelhante a mim pode cruzar com eles tocando numa esquina da cidade. Não só por essa minha história particular, mas é justo integrarem os destaques de 2014. A banda foi constante em sites, rodas de amigos, feed e plays. Já trabalhando para o novo trabalho, recém-lançaram o single Chuva Ácida, mostrando que vem coisa boa por aí.

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