MP Seleciona: Oito Videoclipes de 2018

Em primeiríssima instância, não é errado dizer que o Música Pavê é sobre videoclipes – foi por aí que todo o site começou, embora tenha se desenvolvido para vários outros lados. De qualquer forma, das cinco listas que a equipe preparou para o especial 2018, esta de vídeos chega como a mais querida de todas.

Todo mês, o site seleciona dez clipes. Com base nesses mais de cem lançados desde janeiro, surgiu uma pré-lista só com que nossos critérios de avaliação apontam como “os melhores” e, depois dela, os pavezeiros votaram para chegar em Oito Videoclipes de 2018.

Para acessar a resenha original de cada lançamento, clique em seu título.

Childish Gambino – This Is America

Lembro quando o clipe saiu e fez todo mundo procurar as tantas referências que Childish Gambino inseriu ao longo dos quantro minutos de vídeo. O preconceito enraizado, a violência, o porte de armas, o terrorismo, a espetacularização disso tudo através de um simples celular, está tudo lá. This Is America é um dos melhores vídeos de muitos anos para cá, não somente de 2018. É provocador, impactante e retrata uma cultura norte-americana que, por muitas vezes, é jogada debaixo do tapete. (William Nunes)

Janelle Monáe + Grimes – PYNK

Apresentando uma leitura sobre o feminino, as duas artistas desdobram (e deslocam) a cor rosa, a fim de tirá-la de um lugar comum e estereotipado, para falar de sexualidade, força e beleza. A forma como os símbolos são trabalhados geram imagens emblemáticas, possibilitando pensar sobre os espaços, no corpo feminino, onde essa cor está presente, trazendo a afirmativa de que “we got the pink”. Essa é mais uma parceria crítica e bem sucedida entre Janelle e Grimes. (Letícia Miranda)

Tagua Tagua – Rastro de Pó

É tão perturbador quanto irônico perceber que há um grupo de pessoas no país que, ao mesmo tempo que tem a bandeira brasileira como símbolo eleito, faz questão de esconder o Brasil que não se assemelha ao estrangeiro. Na contramão desse infeliz movimento, Tagua Tagua viaja ao interior da Bahia para dar luz a uma cultura marginal, mas autenticamente nossa, em uma produção absolutamente impecável – e visualmente estonteante. (André Felipe de Medeiros)

Jack White – Over and Over and Over

Uma das coisas mais insanas e belas de 2018 foi o clipe de Over and Over and Over, com sua câmera maluca mirando em alguns pontos enquanto o cenário muda completamente. Toda a movimentação rápida e frenética junto das cores que vão predominando parece se encaixar na faixa, cuja sonoridade é tão grandiosa quanto o que vemos na tela. (Lucas Gabriel Bosso)

Rubel – Colégio

Colégio deu voz a muitos jovens que precisavam ser ouvidos e nos os mostrou histórias que já não deveriam ser comuns entre os adolescentes. São pequenas cenas que contam uma vida inteira, quatro paredes e mundos secretos repletos de dores e incertezas. O clipe nos lembra que estudantes estão em conflito com o mundo e com eles mesmos. Tudo que querem é serem ouvidos e compreendidos. (Carolina Reis)

Ariana Grande – God Is a Woman

O poder do feminino transborda da tela em God Is a Woman. Em uma abordagem visual ousada da canção, Ariana aparece em uma série de referências mitológicas e artísticas para representar o poder da mulher, sua capacidade de criar e destruir, seus desejos e anseios. Cada cena parece um quadro – algumas inspiradas em pinturas de Georgia O’Keefe e Michelangelo -, completas com a voz de Madonna que surge dos céus, abençoando esse mundo às avessas. (Nathália Pandeló)

The Carters – APES**T

O frio na barriga que dá ver o Museu do Louvre tomado por negros, que colocam sua cultura em paralelo com o eurocentrismo em que se baseia praticamente toda a arte do mundo ocidental – para não dizer de quase todo o globo -, já poderia ser suficiente para colocar esta reunião entre Beyoncé e Jay-Z nos destaques de 2018. Uma produção dessas, no entanto, com uma fluência absurda da linguagem do videoclipe, garante que o lançamento seja merecidamente “histórico”. (André Felipe de Medeiros)

Criolo – Boca de Lobo

Criolo aparece de tempos em tempos ensinando a vida, cada fala dita é um sabor para degustar. Ele pode não ter lançado nenhum disco novo, mas Boca de Lobo registrou em forma de canção e videoclipe  – destacando a qualidade da animação, o que já insere um marco importante dentro do gênero – os principais fatos políticos em nossa recente história em ritmo de distopia. (Rômulo Mendes)

Acompanhe o especial 2018 no Música Pavê

Shuffle

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