Faixa a Faixa: Onagra Claudique – “Lira Auriverde”

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Onagra Claudique é uma banda que a gente aqui viu aparecer há mais de dois anos (com uma das músicas mais bonitas de 2012), viu fazer o primeiro show grande e teve a honra de ouvir seu som em nossa primeira edição do /remix. Por isso o lançamento de seu primeiro álbum, Lira Auriverde, ter status de grande novidade aqui no Música Pavê. Mas, se o disco chegasse aqui hoje sem esse contexto todo, sabemos que ele teria nos deslumbrado da mesma forma.

São dez canções de pura poesia com arranjos belíssimos e produção de primeira – tudo de muito bom gosto, como sempre. Na primeira audição, o álbum te agrada, porém, com o tempo, ele te acolhe. Recomendamos uma audição repetida justamente por isso, pra sacar como ele desenrola seus significados aos poucos (lembrando que ele pode ser baixado gratuitamente no Bandcamp).

Alguns pavezeiros fizeram questão de comentar as novas músicas. Como cada um ouve de um jeito, as impressões também foram bem diversificadas. Está aí mais um faixa a faixa.

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1. Urtica Ardens

“Percebi que não havia mais rima, um solo de guitarra contaminava não só o quarto, mas a vida. A sua sonoridade liberava uma substância ácida que inflamava o nosso junto. Você projetava o seu fogo na minha sombra, tentei sussurrar libertação, mas te perdi nos teus desvios, murmurando a própria comoção pelos cômodos da casa. Por que não paramos por aqui?” (Rômulo Mendes)

2. Teses Taxistas

“É uma canção serena que possui um acorde inebriante. É uma música muito bonita e que aproxima muito Onagra Claudique da MPB. Tem um charme que me lembrou da banda Ludov. Há certa ingenuidade nisso tudo. Teses Taxistas é uma grande música” (Guilherme Canedo)

3. Rosa Ferrugem

“É o momento Açúcar ou Adoçante? do disco, no qual o café pretexto/objeto de cena vira tema/metáfora pro momento em que o relacionamento que já passou é colocado em cheque com a sobriedade da cafeína entre momentos etílicos pra medicar a dor frequente. Em uma atmosfera que me lembra Clube da Esquina e afins, versos como ‘De doce basta a vida’ fazem o envolvimento com a composição ser pleno” (André Felipe de Medeiros)

4. Empirimístico

“Com certeza, a palavra inventada para dar nome a essa canção é a melhor definição dela própria. Com uma levada fácil que torna a música boa de se ouvir, mostra que talvez seja o momento de tirar o pé do acelerador e levar a vida menos a sério, ‘falando pouco, amando menos'” (Marcel Marques)

5. Sagração

“Já teve um daqueles amores que te faz ficar devagar? Daqueles que fazem o mundo ficar em câmera lenta ou debaixo d’água; que te fazem sentir-se novo em folha, como se nada nunca tivesse passado pelo seu coração além de uma brisa suave de verão; um desses amores que te levam pra longe, ou talvez apenas te levem a olhar pro teto e esperar que ele gire. Já teve? Desses amores que te mudam de rítmo nos 45 do segundo tempo e te avivam quando o jogo parece perdido? O peito treme, o tempo sopra e tem uma mão guiando o teu andar que, no fim, já parece corrida. E se agora a mão te soltar? Pra onde vai o caminho?” (Mariana Martins)

6. Estélio Prates, o Literato

“Está na praia? É fim de tarde? Estélio Prates pode ser seu amigo no trânsito ou na areia, com o sol se pondo. A sexta canção de Lira Auriverde é muito relaxante, com guitarras muito bem criadas, com aqueles efeitos que você viaja desde o primeiro acorde. Resenha à parte, a guitarra desta música me conquistou. A canção é padrão, 4 por 4, um climinha à la Los Hermanos, uma letra falada e com efeitos bem colocados. Vale a pena ir direto nela se o seu dia foi estressante e se você tem um mar de frente pra você” (Rubens Filho)

7. Poxa

“Eu de um lado e você do outro. Poxa, como tudo isso foi acontecer? A música que tem um ‘quê’ de folk, com guitarras e bateria bem marcadas. A letra surge nos descansos dos instrumentos, o que faz parecer que tudo é um grande desabafo” (Marcel Marques)

8. Abafado

“Se eu tiver a sorte, quero um amor tranquilo. Nessa vida, a gente precisa de alguém que seja só um pouco mais assim: um segredo abafado por outra boca, um devaneio acordado ou um sonho bem dormido.  Adoro a melodia dessa música porque ela me aquece e parece vir me abraçar como um dia quente, ou um desses amores que parecem durar para sempre num só segundo” (Mariana Martins)

9. Irresoluto

“Não adianta, o que se tem a dois é um grande descompasso. O que um tem como desejo, o outro vê como risco; Um precisa, o outro teme; Um questiona, o outro afirma. O equilíbrio pleno é ilusão – almeja-se um complementar yin-yang, mas tem-se as tais retas paralelas que não se encontram nem no infinito. Daí, quando um dos dois deixa claro o que quer e o outro opta pela incerteza travestida de leveza, de casualidade, o que se tem é uma covarde traição. E a canção cresce cada vez mais, assim como a solidão de estar com alguém que não está nem aí” (André Felipe de Medeiros)

10. Arrebol

Arrebol é a coisa mais linda. A música e o fenômeno. São coisas de “de manhã” e à tarde, coisas de cotidiano, mas que não nunca se depreciam! Melodia super envolvente. Três vezes no replay é o mínimo” (Anna Rinaldi)

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