Faixa a Faixa: “Mar Azul”

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A fertilidade musical de Minas Gerais é tão indiscutível quanto louvável, o que torna toda maneira de homenageá-la também honrosa – quanto mais uma que conseguiu reunir tantos talentos em versões de qualidades também ímpares como a recém-lançada Mar Azul – Sons de Minas Gerais Vol. 1.

O projeto comandado pelo coletivo Tocavideos, e com distribuição do selo slap, teve o lançamento de seu trailer aqui mesmo no Música Pavê. Dias depois, agora que já digerimos a obra, chegou a vez de comentarmos cada uma das músicas deste incrível disco, documentado também em vídeo.

##César Lacerda – Pedras Rolando

César Lacerda se aproveita de toda sua linda capacidade de fazer arranjos magníficos para compor essa versão. É que mesmo só num violão com voz, ele arrasta toda as as nuamces possíveis de um discurso. É a nota certa na intensidade certa e no ponto exato da letra. Tem algo de muito especial em como uma música se transforma nas mãos de quem a conhece e sente, mesmo sem a ter criado. César abre Mar Azul como um mágico que lança um feitiço. (Mariana Martins)

##Júlia Vargas – Canoa, Canoa

Durante a pequena entrevista com Júlia Vargas na gravação da música, percebemos que a artista iria fazer jus à canção por ter uma conexão com ela e, obviamente, sentir um grande respeito por Milton Nascimento. Esta versão de Canoa, Canoa, assim como a original, deixa arrepios pelo corpo. Flauta, violão dedilhado e a suave voz de Júlia combinaram perfeitamente com a música. Uma faixa viciante. (Carolina Reis)

##SILVA – Um Girassol da Cor do seu Cabelo

Dá pra perceber que a versão de Lúcio para este grande clássico foi feita priorizando a beleza da poesia e da composição originais. Com dois momentos muito bem definidos na música – um puramente acústico e outro com o amparo de batidas eletrônicas -, a faixa é amarrada pela bela voz do cantor em uma interpretação refinada e honesta. A releitura que uma grande obra merece. (André Felipe de Medeiros)

##Pedro Luís – Reis e Rainhas do Maracatu

Salve, Pedro Luís! Com um violão que parece ter vida própria, o músico arrasta seu vocal em uma interpretação crua que poderia parecer espontânea, não fosse justamente o refinamento que envolve toda a releitura. É a cultura popular sendo devidamente honrada e relembrada. (André Felipe de Medeiros)

##Maíra Freitas – Cravo e Canela

Há algo muito especial nas músicas que quem nasceu e cresceu em um mesmo país acaba ouvindo mesmo sem querer durante a vida. São faixas que sabemos cantar pelo menos um trecho, nem que seja o refrão, e trazem memórias que nem sabíamos que tínhamos. Cravo e Canela é um desses casos, ainda mais em uma versão como a da cantora, que traz sua voz envolvida por outros timbres, mas sempre com bastante espaço em branco entre eles para serem preenchidos por essas lembranças do ouvinte. (André Felipe de Medeiros)

##Michele Leal – Paisagem da Janela

“Da janela lateral do quarto de dormir”, vejo com nostalgia e orgulho tudo aquilo que, além da letra da canção, fez parte da minha vida em meio as serras mineiras. Paisagem da janela é uma espécie de hino para nós mineiros. Ela tem cheiro da terra molhada e do café coado acompanhado do pão de queijo, tem a força das pernas feita ao subir nossas ladeiras, e por fim, tem a hospitalidade caseira, colocada com sabedoria em piano e voz, pela também mineira Michele Leal. Representada de forma impecável e emocionante, Minas Gerais é essencialmente assim. (Matheus Pinheiro)

##Ordinarius – Nada Será como Antes

Na versão original, ouvimos várias vozes participando da música, e nesta versão não foi diferente. Os músicos da Ordinarius soltaram a voz e fizeram uma versão linda de Nada Será Como Antes. Fazendo uma releitura quase acapela, na qual as vozes fazem o som de alguns instrumentos, o grupo trouxe algo de original. Ficou extremamente bonito. (Carolina Reis)

##Lucas Arruda – Fazenda

Fazenda é uma música melancólica, de pura nostalgia. Lucas Arruda conseguiu transmitir a mesma sensação com seu vilão e voz. A canção é simples, mas com grande sentimento por trás. Arruda fez uma bela homenagem com ela. (Carolina Reis)

##Dani Black – Travessia

Travessia tem uma das letras mais intuitivas de um coração partido. Sempre me tocou a maneira como a melodia cresce. E mais ainda como de “seguindo pela estrada”, passa a “seguindo pela vida”. Dani Black revela aspectos dessa música que não se notava na versão original. A sua versão é mais barulhenta e desesperada, e cresce mais na intensidade. O que se percebe é que o próprio artista está hipnotizado pela música que canta, jogando todos nós no vórtex do seu pensamento. (Mariana Martins)

##Moska – Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor

O cantor acalanta o ouvinte com um violão que reverbera pelos fones de ouvido para acompanhar a belíssima composição. Com uma interpretação franca e nostálgica, a letra romântica cativa e aquece qualquer coração. (André Felipe de Medeiros)

##João Bittencourt – Nascente

A coletânea vê seu encerramento justamente em Nascente, a única faixa instrumental do disco. A poesia, contudo, fica clara pelas teclas do piano, permitindo que o ouvinte complete a letra com sua memória afetiva por uma composição tão rica. De chorar. (André Felipe de Medeiros)

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