Faixa a Faixa: Jeito Felindie

“Quem tem seus vinte e tantos, trinta e poucos anos, sabe cantar Me Leva, do Latino, Nosso Sonho, do Claudinho & Buchecha, Essa Tal Liberdade do SPC e muita coisa que pode não estar na playlist dela hoje, mas tem lá aquele espaço na história dela, naquele churrasco de família, naquela tarde de domingo assistindo ao Faustão depois doTemperatura Máxima“. Foi assim que Jorge Wagner, do Fita Bruta, nos explicou a intenção de realizar uma coletânea que celebre nossa memória afetiva com músicas do grupo de pagode Raça Negra.

Agora, com quase um mês de lançamento, pudemos ouvir, re-ouvir e digerir a Jeito Felindie o suficiente para te contar nossas impressões sobre a coletânea. Confira abaixo as impressões de seis dos nossos pavezeiros sobre as regravações feitas por nomes muito bacanas de nossa cena independente, que nos fizeram pensar em rodoviárias, dias de chuva e até em Fresno. Vale relembrar também nossa entrevista com Jorge Wagner e baixar (e saber mais) sobre o projeto no Fita Bruta.

#1 – LulinaCigana

A Lulina vem com uma versão cheia de doçura e sotaque pernambucano. A delicadeza que ela empresta ao Raça Negra é a própria extensão do seu trabalho, a faixa poderia facilmente ser incluída nos seus shows. Considero a melhor contribuição do tributo. (Darwin Marinho)

#2 – Vivian Benford, Cheia de Manias

Pode falar a verdade: Você também estranhou ouvir um dos maiores sucessos da banda de um jeito tão lento e calminho.  A versão original tem muita energia e o toque especial da língua presa do Luiz Carlos. A voz de Vivian joga um balde de doçura à canção. (May Barbosa)

#3 – Minha Pequena Soundsystem, Te Quero Comigo

O grupo carioca trouxe exatamente o que o projeto propõe: características e sonoridades do indie rock, misturando arranjos bem característicos dos anos 80. É perceptível a qualidade musical do grupo ao tentar deixar Te Quero Comigo algo muito além do esperado. “Old is cool”, mas samba rock, indie, anos 80 e com letras sofríveis no estilo romântico brega não colou! Em minha opinião, esta mais parecida com a versão da música original um pouco mais lenta e adaptada para videokê. (Soraia Vieira)

#4 – hidrocorDeus Me Livre

A banda hidrocor inseriu o seu lado introspectivo para a faixa, que combinou bem com a letra em determinadas ocasiões, principalmente no refrão. Lembrei da Fresno, em seus tempos underground.  A versão só mostra que algumas letras dialogam com qualquer musicalidade. (Rômulo Mendes)

#5 – Giancarlo Rufatto, Maravilha

O Ruffato empurrou Maravilha para um desfiladeiro folk, levando a “balada” romântica de 1995 a um nível profundo e melancólico, típico dos dias de chuva do inverno. Ao contrário de uma comemoração, a melodia parece enredo de final de relacionamento – não como uma fossa, mas como um lamento solitário de ritmo arrastado não indicado para dançar de rosto coladinho. (Cristiano Hackl)

#6 – Amplexos, Quando te Encontrei

Imagine que o Amplexos criou seu arranjo com um honesto psicodelismo do Mutantes, misturado ao suingue bem dosado da tropicália dos Novos Baianos e pediu pro Raul interceder pelo vocal. O resultado é uma versão muito divertida e peculiar, sem pieguices, que em termos de batida não me faz lembrar em nada a original, ainda que sem grandes alterações no tempo da música. (Cristiano Hackl)

#7 – Nevilton, Vida Cigana

O Nevilton soube muito bem como adequar Vida Cigana ao tipo de rock que a banda produz. O estranhamento que essa versão causa é incrível, muito envolvente e até já usei outro dia em um set de uma festa, funcionou muito bem. (Darwin Marinho)

#8 – Radioviernes, Você Não Sabe de Mim

A banda paulista conseguiu fazer de Você Não Sabe De Mim uma nova música. Com sua guitarra rasgada e um pouco mais pesada, contrastando com um teclado agudo e melódico, a música vem cheia de quebras trazendo momentos de tristeza, de raiva, de revanche e de amor. Sentimentos. A banda conseguiu construir um cenário musical perfeito para a letra. Raça Negra who? Radiovernes meu irmão! (Soraia Vieira)

#9 – Harmada, Tarde Demais

A Harmada conseguiu fazer com que a música se tornasse ainda mais deprê do que a original. Os sussurros do Manoel Magalhães (vocal) e o backing vocal em feminino deram até um tom meio sombrio à faixa. (May Barbosa)

#10 – LetuceJeito Felino

Numa pegada rock meio offbeat, o grupo Letuce reinventa a gatunice de um amor traiçoeiro, doído, mas ainda assim querido. O grupo se sai muito bem na interpretação mais triste e arrastada da faixa que dá origem ao trocadilho do título do álbum. (Mariana Martins)

#11 – Orquestra Superpopular, Me Leva Junto Com Você

Emendando a poesia de Vinicius de Morais a uma melodia refeita que se afasta do pagode meloso original, mantendo apenas uma leve batida embalada por piano e por uma doce voz afinadíssima, o grupo Orquestra Superpopular faz aquilo que é mestre em fazer: uma releitura afiadíssima da música. A gente acaba realmente com vontade de levá-los junto nos ouvidos. (Mariana Martins)

#12 – NanaSozinho

Nana empresta sua voz doce para o clássico pagode em que, não contente em dar uma roupagem nova, acaba enchendo nossos ouvidos de ternura, nos levando para muitos lugares. Eu, por exemplo, considerando a levada brega da nova melodia, imaginei uma rodoviária na beira da estrada, abandonada, com uma mulher cantando suas dores da vida. (Rômulo Mendes)

Baixe a coletânea Jeito Felindie no Fita Bruta e saiba mais sobre ela aqui no Música Pavê

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