Faixa a Faixa: Cícero – “A Praia”

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Fazia tempo que o pessoal do Música Pavê não se reunia pra comentar um disco, e o terceiro lançamento de Cícero mostrou-se uma opção certeira para retormarmos essa atividade.

Sem combinar o que falaríamos, alguns pavezeiros ouviram o disco e escreveram seus comentários. É interessante notar como as percepções não foram muito diferentes entre si, com ênfase nos timbres escolhidos e nos versos repetidos. A certeza fica: Estamos diante de mais um bom trabalho do músico carioca.

Até o momento da publicação, não havia qualquer player oficial de A Praia, mas ele pode ser baixado gratuitamente no site do artista.

A praia

01. Frevo Por Acaso nº 2

“Opa, já ouvimos isso antes. E que bela surpresa o início de um álbum retomar o ponto em que o anterior terminou, dá a ideia de continuidade que A Praia tanto tem. Logo em “Papéis, documentos; Velhas normas de comportamento”, lembramos que Cícero sabe tirar poesia do mero cotidiano como poucos. Ótima, vamos em frente.” (André Felipe de Medeiros)

02. A Praia

“A música que dá título ao disco tem um quê de Bossa Nova, uma sensação de Leblon na novela do Manuel Carlos, com um pianinho que acompanha a voz. A letra breve (bem a cara de Cícero) abre espaço para um instrumental que flerta com o psicodélico, com bateria, guitarras e violino. Como de praxe, para fechar a prosa da música, vem a moral da história: ‘As canções de amor inventam o amor’.” (Marcel Marques)

03. Camomila

“Essa talvez seja a primeira música de A Praia que soa como o que esperávamos do menino Cícero pós-Canções de Apartamento, mas que não veio no Sábado. Os arranjos vão encorpando na medida em que o disco avança, e quando chega em Camomila, a calma vai sendo diluída na base de guitarra, baixo e bateria. Ela se perde no casiotone de Bruno Schulz e culmina na constatação do verso que se repete: ‘Nada vai mudar em vão.” (Nathália Pandeló)

04. De Passagem

“É uma canção sóbria que traz uma melodia boa de se ouvir. É interessante pela junção de elementos: um bumbo ao fundo, um acordeon e um triangulo à la Luiz Gonzaga. Gosto dessa música por tudo o que ela traz. Ouvi-la com fones de ouvido é uma experiência sensorial incrível. Recomendo bons fones.” (Guilherme Canedo)

05. O Bobo

“Aquele carnaval escondido no peito. Com bateria bem marcada e contínua, guitarras e várias vozes se alternando com a de Cícero, que mais uma vez conseguiu condensar em uma música muita tensão e, ao mesmo tempo, “toda bonita; exibida esperança”. Para finalizar, chega o caminhão de gás no meio do carnaval e vira aquela anarquia toda, que já conhecemos de outrora. Bacana ressaltar que o disco todo conta com diferentes instrumentos – a parte psicodélica de O Bobo conta com flauta, trombone e trompete.” (Marcel Marques)

06. Soneto de Santa Cruz

“Um começo que lembra Marcelo Camelo, uma letra que insere cada vez mais Cícero no compositor que provoca sensações. A somatória da melodia, ritmo e letra que te coloca nesse descompasso no tempo e do espaço, o vazio lá dentro, a chuva lá fora e a tristeza não veio.” (Rômulo Mendes)

07. Isabel (Carta de um Pai Aflito)

“Para uma música com uma bateria tão nervosa, Isabel nem parece uma canção tão reticente. Talvez dona de um dos arranjos mais ousados do disco, ela traz a bateria e a guitarra mais pungentes, uma constante ao longo de A Praia. Mas o seu diferencial fica por conta do coro masculino e de instrumentos como o ganzá e o órgão eletrônico, esse último nas mãos do próprio Cícero. Certamente um longo caminho desde a voz e violão de 2011.” (Nathália Pandeló)

08. Albatroz

“A bateria tentando alcançar a guitarra costura o que está por trás da letra. Entre, sinta-se à vontade; O assobio, o dia, laranja: Entre. Sempre haverá o espaço, por vezes em branco, que não há de visto ao primeiro olhar, entre duas coisas.” (Rômulo Mendes)

09. Cecília e a Máquina

“Cícero dá vez à voz feminina e ao passado, trazendo de volta a personagem de Cecília e os Balões do primeiro disco. Ela retorna em outro contexto, talvez mais apático, talvez tentando se perder em algum limbo da memória, mas faz-se presente enquanto o tempo não para de passar.” (André Felipe de Medeiros)

10. Terminal Alvorada

“Com a naturalidade de um diálogo espontâneo, a música revela o conteúdo feliz de todo o disco ao repetir o verso ‘Faz um tempo eu não sei o que é saudade’. Um verdadeiro abraço sonoro.” (André Felipe de Medeiros)

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