Faixa a Faixa: Boogarins – “As Plantas que Curam”

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(Curta mais da série 2014 Define no Música Pavê)

O ano do Música Pavê começou com Boogarins (em shows e entrevista exclusiva) e não poderia acabar de outra forma senão com o quarteto, que acompanhamos atentamente por cada um dos meses.

E 2014 foi um período intenso pra banda, ainda mais que o anterior (que viu o lançamento do excelente As Plantas que Curam). Entre intensas turnês não só na América do Norte e Europa, mas também por vários cantos do Brasil, Boogarins teve seu nome repetido desde os becos da música alternativa até a boca de Ivete Sangalo.

De Goiânia para o mundo, o ano foi deles. E os quatro, que preparam seu segundo álbum, tem seu disco de estreia comentado aqui no Música Pavê um bom tempo depois de seu lançamento, mas ainda muito presente em nossas vidas. É agora que te contamos como ouvimos a obra, faixa a faixa.

##1. Lucifernandis

“A faixa que abre o álbum traz a imagem do começo de um filme de aventura. Com uma levada constante, as vozes contrastando com os instrumentos que em muitas partes da canção remete aos experimentos que The Beatles fazia com as escalas e instrumentos orientais, com aquele toque meio Os Mutantes que hoje em dia não pode faltar. Pois é, em 2012 (quando o disco foi gravado), eles já estavam pensando assim” (Marcel Marques)

##2. Erre

“Quem se sente entre o som, a morte e o fim somos nós ao ouvirmos a melodia de Erre. O eco das guitarras projeta pra dentro da gente uma angustiazinha, tristeza leve, uma dorzinha que, no fundo, fica meio boa de sentir. Boa porque é produzida, proposital, é artística. E a letra, com seus versos que são uma ida sem volta, reforça ainda mais esse caráter dramático da faixa!” (Anna Rinaldi)

##3. Infinu

“Um som bem simplista, sem grandes preocupações, nem mudanças. Uma guitarra contínua brinca com o vocal (quando tem o seu momento) e o resto da música vaga por solos e escalas, acompanhada por uma bateria e instrumentos tímidos. Porém, o minimalismo do som é compensado com a letra, que diz sentir várias complicações transformadas em direções, que já são quase milhões e querer o infinito em frações para sentir as emoções ‘de corpo e alma, sem limitações'” (Marcel Marques)

##4. Despreocupar

“Pode ser viagem minha – e, sendo Boogarins, acho que cabe -, mas eu ousaria dizer que essa música foi inspirada no voo de um pássaro. Que voa…

Alto, tão alto
Pra ninguém me enxergar
Que anda…
Passo a passo
Pra ninguém me derrubar
Que vive a…
Correr por fora (do solo)
Mas sempre ao centro”
(Anna Rinaldi)

##5. Hoje Aprendi de Verdade

“Gosto de sua estrutura. Essa música me faz lembrar ainda mais The Beatles. Me traz uma certa nostalgia,me remete muito ao White Album – meu favorito do Beatles. É genial” (Guilherme Canedo)

##6. Fim

“Amizade é aquilo que acontece quando duas ou mais linhas da vida se encontram. Naquele momento, o laço existe e é forte. Daí, cada linha ruma em sua direção e o nó se desfaz. Nem sempre dá pra reatar, já que o que dois eram, cada um é outra coisa agora. Quem tocava guitarra desafinado, hoje entra no tom com violão. Viver é saber celebrar o que se tem enquanto se é” (André Felipe de Medeiros)

##7. Doce

“O riff de guitarra que acompanha a levada de baixo e bateria dá uma aurea pop para esta faixa. Com uma estrutura simples e uma letra muito boa, não é a toa que Doce é uma das músicas preferidas dos fãs do quarteto. Sem maiores comparações, particularmente, Doce me remete a Todo Carnaval Tem Seu Fim, de Los Hermanos. É daquelas músicas que você deixa no repeat por um bom tempo para ficar apenas escutando e pensando na vida” (William Nunes)

##8. Eu Vou

“Prolongando o verso que conclui Doce, a pequena faixa é quase um interlúdio que prepara o ouvinte para o término do disco. É o momento de respirar depois da pegada mais intensa da anterior, dois minutinhos pra deixar claro falando baixinho o que a guitarra gritou na anterior” (André Felipe de Medeiros)

##9. Canção Perdida

“Um minutinho de bucolismo, por favor” (André Felipe de Medeiros)

##10. Paul

“A juventude tem medo de não ser mais jovem, e esse parece ser o tema central de As Plantas que Curam. Pra finalizar, uma música sobre a pós-adolescência (“O tempo passou e você quer ser alguém, mas nada mudou e você não sabe quem”), aquele período em que o indivíduo se vê crescido e nem sempre se dá conta que ainda será novinho por um bom tempo. Dá medo, mas isso faz você aproveitar melhor as coisas. Faz bem” (André Felipe de Medeiros)

Curta mais da série especial 2014 Define no Música Pavê

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