Faixa a Faixa: Arctic Monkeys – “Tranquility Base…”

Controverso por dividir opiniões de público, crítica e fãs como poucos discos conseguem fazer, Tranquility Base Hotel & Casino mostra que Arctic Monkeys não é mesmo a banda que conhecíamos – constatação que causa (ou deveria gerar) pouquíssima surpresa, visto que os moleques de doze anos atrás, veja só, cresceram e possuem outros interesses artísticos hoje.

O lamento sobre a mudança vem a partir da alta qualidade de seus trabalhos anteriores, com os quais toda uma geração se identificou, dançou e cantou a plenos pulmões em shows, festas e baladas. O clima agora, contudo, é introspectivo, pessimista e um tanto etílico, utilizando a metáfora do hotel do título como se a banda estivesse em um episódio retrô de Black Mirror.

Frente a tudo isso, parte da equipe Música Pavê sentou e escreveu alguns comentários sobre as faixas do álbum, para ajudar um pouco em sua compreensão e fazer justiça a uma obra vista com uma antipatia imediata de grande parte de seus potenciais ouvintes. Mudar é difícil, a gente sabe, mas sempre vale a pena – vide todos os nossos músicos favoritos, aqueles que entram para a história como os “melhores”.

Star Treatment

“Dentro das onze faixas que compõem Tranquility Base Hotel & Casino, não tem uma que se encaixa melhor como abertura do que Star Treatment. Sonoramente, ela possui todo um quê de apresentação do que vem pela frente. Cheia de nuances que nos ambientam na proposta do álbum, a faixa também tem uma letra confessional – já característica de Alex Turner como compositor: “eu só queria ser um dos The Strokes”. Veja bem onde você se meteu, Alex” (William Nunes)

One Point Perspective

“O gosto de uísque diluído em gelo começa a amargar de vez em sua segunda faixa, com um timbre de piano ingênuo que acompanha a melancolia de um eu-lírico tão deslumbrado quanto argumentativo. Uma música que reflete bem a proposta da obra como um todo” (André Felipe de Medeiros)

American Sports

Uma das melhores deste disco. Dançante de forma madura como todo este novo trabalho, sua duração curta faz com que o ouvinte queira ouvi-la de novo. Para os fãs que queriam ouvir um pouco do que já foi feito pela banda, ela carrega alguns elementos de Fireside” (Lucas Gabriel Bosso)

Tranquility Base Hotel & Casino

“A faixa-título é a mais direta, até então, do álbum. Em um estilo bem balada, conduzida pelo arranjo de bateria, baixo e piano, traz Alex cantando de uma maneira bem parecida com seu The Last Shaddow Puppets. Uma das músicas mais gostosas de ouvir dessa nova leva” (William Nunes)

Golden Trunks

O riff nos engana, nos dá esperança de ter algo mais pesado. Porém, melodicamente falando, é uma ilusão que vai se mostrando no desdobramento do som. É uma linha contida: Do jeito que começa, acaba. A letra ainda está coberta no misticismo, ou o ouvinte, é claro, pode dar o seu significado. Ao mesmo tempo em que se encontra versos com tons políticos, há também um pouco de romance” (Lucas Gabriel Bosso)

Four Out of Five

“Uma das poucas canções radiofônicas do álbum, ela não abre mão do clima misterioso que permeia o trabalho. O lado ácido e irônico de Turner aparece aqui mascarado por referências a livros, filmes, teorias. É retrô, atual e distópico, tudo isso na mesma estrofe. O narrador nos convida a uma viagem lunar (chega mais, é um voo facinho) – mas é aí que você nota que já está viajando há meio disco e nem sabia” (Nathália Pandeló Corrêa)

The World’s First Ever Monster Truck Front Flip

“A canção parece dar voz à tecnologia: ‘Aberte o botão e nós fazemos o resto’. Tudo que precisamos fazer é clicar no ícone e temos todas as informações que queremos em um piscar de olhos. Parece incrível, mas a música acaba deixando claro que a tecnologia pode acabar diminuindo as nossas mentes. A letra combina perfeitamente com a melodia, como se a modernização estivesse tentando nos manipular de alguma forma” (Carolina Reis)

Science Fiction

“Segundo o vocalista e compositor do grupo, ficção-científica foi o tema central que deu o pontapé inicial para as composições líricas do novo álbum. Nessa faixa, Alex parece brincar com esse próprio fato ao dizer tudo pode acabar parecendo inteligente e pretensioso demais. Ele está certo, nem tudo pode ser levado ao pé da letra” (William Nunes)

She Looks Like Fun

“Uma das canções que mais me chamou atenção no álbum, por ser uma das primeiras vezes que vejo uma banda cantar sobre a Internet de uma maneira sexy e irônica. Uma música romantica do século 21 que envolve o sentimento e a Web. Alex joga palavras aleatórias, como “Good Morning”, “Cheeseburger” e “Snowboarding”, simulando uma pessoa scrolling pelo Instagram, vigiando a vida alheia e ocasionalmente gabando sobre suas conquistas. Mais uma crítica ao mundo da tecnologia, onde todos estão te vigiando constantemente” (Carolina Reis)

Batphone

“Hollywoodiana e noir, a ambientação da música nos remete ao passado instantaneamente, enquanto comenta um sentimento muito pertencente ao nosso tempo: Uma necessidade constante de contato através de um telefone celular – uma disponibilidade melancólica, ansiosa e bastante claustrofóbica, como a faixa ilustra tão bem” (André Felipe de Medeiros)

The Ultracheese

“Uma balada é a incumbida de fechar um trabalho recheado de experimentações.  Nela, podemos ouvir muito piano, instrumento com o qual muitas das músicas foram compostas. A faixa é muito bem trabalhada, uma melodia sólida e original, cumpre bem seu papel de encaminhar o ouvinte para o final de um trabalho muito bem arquitetado e bem executado” (Lucas Gabriel Bosso)

Tranquility Base Hotel & Casino tem lançamento no Brasil pelo selo Deck, em CD, vinil e cassete, além do formato digital.

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Shuffle

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