Entrevista: SILVA

A carreira de Lúcio Souza sob o nome SILVA despontou em 2011 com o lançamento de um EP homônimo que fez todos nós virarmos os ouvidos para o som que esse capixaba de então 23 anos estava fazendo.

Durante 2012, ele assinou com uma gravadora, estreou nos palcos, foi um dos destaques do festival Sónar em São Paulo, lançou o EP 2012 e o ótimo álbum Claridão em outubro – tudo demonstrando a alta qualidade do trabalho que conhecemos no ano passado.

Quando nossa equipe sentou para discutir quais artistas homenagearíamos no especial Marcou 2012, SILVA foi um dos mais votados, daí o prazer de abrir a série com uma entrevista exclusiva para o Música Pavê – que ele me lembrou, com um sorriso no rosto, que foi um dos primeiríssimos véiculos a publicar sobre seu som.

2012

Música Pavê: Lúcio, nós apontamos seu trabalho como um dos marcos de 2012. Como esse ano vai ficar marcado para você na sua carreira?

Lúcio Souza, o SILVA: 2012 foi um ano de muita coisa nova e muitas eu nem pensava que aconteceriam. O disco, os shows, o curso de violino terminado, muita coisa num ano só. Foi desafiador e muito importante pra mim.

MP: Não é esse o sentido do termo naquele contexto, mas o que significa pra você ter lançado uma música com nome 2012 no meio disso tudo? Acaba sendo uma espécie de “monumento” de duplo sentido na sua história?

SILVA: A música 2012 veio da vontade de brincar com a lenda do fim do mundo e de falar de um apocalipse pessoal. Quando eu e meu irmão fizemos essa música, meu avô estava internado no hospital por causa de um câncer e a música foi composta durante os seus últimos dias. Sempre fomos muito ligados a ele. Meu avô foi quem me deu meu primeiro violino e sempre investiu pra que eu progredisse na música de alguma forma. Até o meu piano elétrico CP70 (que era um dos meus sonhos de consumo) foi ele que me deu. Ele faleceu no começo desse ano e isso foi logo na semana do meu primeiro show no Rio. Infelizmente, ele não viu nada acontecer. Acho que a música reflete isso tudo.

MP: Como foi transformar o EP em álbum? Qual o papel que 2012, lançada no meio do caminho, teve nesse processo?

SILVA: Foi um processo lento e um pouco difícil porque eu já estava indo pra outros caminhos. 2012 e Mais Cedo foram as primeiras músicas que saíram logo em janeiro e tive que adaptá-las pra que soassem, de alguma forma, conectadas com as músicas do primeiro EP. 2012 foi a música que impulsionou o trabalho todo.

Mais Cedo

MP: O disco novo se chama Claridão. Em um momento tão corrido, um período curto no qual aconteceram tantas coisas, é fácil perder a clareza das coisas?

SILVA: Acho que a clareza é uma coisa fácil de se perder. À medida que o trabalho cresce, muitas pessoas se envolvem com você e é preciso ter o pé no chão pra não deixar de ser o que era.

MP: Na prática, o que a estrutura de uma gravadora trouxe para você?

SILVA: O contrato me trouxe um pouco mais de profissionalismo. Comecei a enxergar a música também como um trabalho e não só como um hobby, além de não ter que pensar na terrível parte burocrática da carreira e poder focar no que eu gosto de fazer.

silva, por jorge bispo

MP: Como foi a experiência de gravar os clipes e interpretar para a câmera em A Visita?

SILVA: Foi meu primeiro clipe e eu não tinha noção alguma de como encarar uma câmera (e ainda não tenho). Sem dúvida, foi um dos momentos mais desafiadores pra mim e além disso eu ainda tive que dançar na frente de um set inteiro! (risos)

MP: E sobre fazer shows, quais foram as principais lições aprendidas durante o ano?

SILVA: Os shows foram e continuam tomando forma. Infelizmente, eu não comecei tocando em lugares pequenos, já comecei pelo Sónar e isso foi um pouco pesado no início. Acho que pela vivência com música erudita, eu acabei ficando muito exigente comigo mesmo e isso me deixava desconfortável enquanto eu não estava estruturado para fazer os shows. Ultimamente, eu tenho ficado mais à vontade no palco e a timidez tem dado um descanso.

MP: Lúcio, muita coisa é dita pela imprensa sobre a sua música, desde o lançamento do EP no ano passado. Tem alguma coisa que te surpreende por ainda não ter sido dita?

SILVA: Eu acho que não, já falaram muita coisa!

MP: E quanto ao público, como você observa que seus ouvintes percebem sua música?

SILVA: Fico muito feliz com a resposta das pessoas. Tenho ouvido alguns dizerem que se identificam com o clima das músicas e outros falarem que a sonoridade é um tanto incomum. Isso tudo é muito legal de se ouvir.

MP: E o que podemos esperar do SILVA pra 2013?

SILVA: Músicas novas, talvez um disco novo, mais shows, parcerias novas e quem sabe até mudar de cidade! (risos)

Curta mais de SILVA no Música Pavê e acompanhe nossa série Marcou 2012

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