Entrevista: OHO

Elementos eletrônicos, teclados, violões, músicas suaves com um vocal feminino sutil e aveludado e vinda de um país que trouxe à musica mundial grandes nomes, como Daft Punk e Air. Podemos classificar a música da banda francesa OHO dessa forma, que, com pouco tempo de estrada, já espalha suas composições pelo mundo, assim como a vida de seus integrantes, Aurore e Paul, que todo ano viajam para diferentes países em busca de novas sonoridades e experiências, o que reflete de forma bastante positiva em sua música.

De paraquedas no Brasil, tive a oportunidade de conversar pessoalmente com Aurore, a voz da banda, e, ao mesmo tempo, com seu fiel escudeiro Paul via Skype. Utilizando o que a banda mais usa para se manter unida e na ativa, a Internet, pude entender um pouco mais sobre como é fazer música a longa distância e utilizar das experiências externas para compor grandes canções e ser parte de uma cena internacional independente de grande prestígio. Essa conversa discontraída, rica e online com os franceses, você verá logo a seguir.

Música Pavê: Sabemos que vocês dois viajam muito, pelo mundo inteiro. Que impacto isso tem no som da OHO?

Paul: Na minha opinião, toda influência externa que recebemos em nossa música é sempre positiva. Se eu estiver na França, ouvindo Blues e Rock como foi na minha infância, ou na Índia, ouvindo a música local e vivendo a cultura local, onde já estive também, é sempre bom, pois isto nos alimenta durante as composições, e faz com que nossa música fique mais rica, eu diria. Gostamos de explorar o mundo, ouvir muitas coisas diferentes e não ficar presos dentro da caixa, ouvindo apenas música européia e americana, que é o que está sempre em voga.

Aurore: O fato de estarmos quase sempre distantes e fazendo música a longa distância (risos) nos faz administrar bem a banda, nossas atividades e composições e tomar decisões de forma mais concisa e democrática, eu diria. Por isso, temos que ser bem fortes e unidos. A experiência internacional nos dá força, sensatez e segurança em nossas decisões.

MP: Vocês vem do país que já nos deu nomes como Daft Punk, Phoenix e Air. Como esses nomes influenciam sua música e suas vidas?

Aurore: Eu acho que, dos três artistas, o Air é o que mais nos influencia como músicos. São músicas “aéreas”, que te passam a sensação de estar voando – não sei explicar bem o que sinto e é isso que procuramos em nossas músicas. Eles são exemplos para nós, nossa música é leve, pacífica, assim como a deles. Já do Daft Punk e Phoenix, também somos fãs, mas não dialogam conosco como o Air, de quem é fácil perceber elementos da música deles em nossa música.

Paul: Para mim, Air é uma grande influencia para nós. Phoenix é uma banda que conheço bem, mas não escuto muito, e o Daft Punk, me lembro sempre de ouvi-los quando eu era menor. Escuto um pouco de Justice também, eu adoro eles, mas de fato, o Air está como nossa influência número um, e gosto deles por que gosto muito de Pink Floyd também, que influencia o Air diretamente, e gosto de toda sua parte instrumental – as guitarras, os teclados, os arranjos. Eles tem um grande impacto em nossas músicas.

MP: Vocês se sentem mais parte de uma cena internacional ou local (francesa)?

Aurore: Eu acho que somos uma banda totalmente internacional por muitas razões: porque eu e Paul estamos próximos, digo na mesma cidade, apenas dois ou três meses a cada ano, porque viajamos muito e agora ele está em Londres, fazemos musica a longa distância, via Skype, e temos muitas influências internacionais por conta disso, mas é claro que muitos artistas franceses nos influenciam diretamente, principalmente os de música eletrônica. Outro fator que nos coloca como banda internacional é a Internet, que usamos para divulgar nossas músicas e o nosso trabalho, e é muito interessante, pois por conta disso, temos muitos fãs internacionais se comparados aos fãs franceses. Fazemos poucos shows por estarmos longe durante quase todo o ano, e a respeito deles, procuramos sempre fazê-los em momentos especiais e em locais importantes para nós. Geralmente acontecem uma vez ou duas por ano, às vezes mais. Cada show para nós é sempre especial.

MP: Qual vocês acham que é a melhor característica da música feita hoje ao redor do mundo?

Paul: Eu acredito que o Radiohead é uma banda excelente e que cada vez mais me surpreende. Eles são únicos, eu diria, estão sempre experimentando coisas novas e de forma interessante. Acredito que, na música, é sempre importante estar aberto e experimentar novas coisas, o que faz com que o artista se reinvente e se torne cada vez mais completo – e muitos outros já fizeram isso, como Jimi Hendrix e Led Zeppelin. Todos estes artistas souberam combinar as diferenças e qualidades de cada um em algo maior, o que os tornaram únicos e coesos, e de fato, o Radiohead consegue fazer isso. Eu não poderia deixar de falar também da importância da Internet para a música atualmente. É uma ferramenta importantíssima que permite ao artista experimentar de tudo e divulgar suas musicas com quem irá ouvir e gostar, dar opiniões e crescer com isso.

MP: Vocês lançaram seu primeiro álbum em outubro de 2011. Como foi gravá-lo?

Paul: Fazer musica, para nós, é sempre muito bom. Cada um tem uma idéia nova e sempre compartilhamos isso, seja alguns acordes, ou uma linha de vocais. Isso acaba se tornando uma música e, dessa forma, o álbum se concretizou. Sempre estamos experimentando sons, através dos softwares que temos em casa e também com o instrumentos, e os que nos fazem felizes vão entrando para as músicas, sejam batidas ou teclados, guitarras. Foi assim que o álbum foi criado e concretizado. Representa muito para nós, ficamos muito felizes quando terminou. Foi resultado da combinação de duas mentes trabalhando juntas, não de uma, e isso para nós é essencial.

MP: O clipe Alone in Kathmandu foi lançado recentemente. Como foi fazê-lo?

Aurore: Temos muitas historias sobre esse vídeo. Na verdade, tínhamos em mente o sonho de fazer um clipe, mas não sabíamos como seria e de que forma faríamos. Isso se concretizou de repente conosco e para se fazer um vídeo, é necessário tempo e dinheiro para que fique com boa qualidade. O Fotógrafo que produziu a capa do álbum e as fotos da banda foi quem teve a idéia de fazer esse vídeo e, em um dia qualquer, ele nos ligou e disse “Pessoal, estou com o clipe de vocês pronto na minha mente, sonhei com ele esta noite, precisamos gravar imediatamente! O que vocês acham?” Achamos excelente e o Paul, que estava na Inglaterra, correu para Paris no dia seguinte, e gravamos o clipe durante um final de semana inteiro. Seguimos para o sítio da minha família nos arredores de Paris, dentro de um pequeno carro, com o material para gravação, o fotógrafo e mais duas pessoas que nos ajudaram com maquiagem e direção. Foi uma grande aventura eu diria (risos), gravamos durante o período diurno as cenas externas, e o restante dentro da casa, e, a cena mais marcante, a que mergulho na banheira, foi gravada na madrugada de domingo, entre 2 e 4 da manhã! (risos). Foi complicado (risos)! O vídeo contém muitas coisas da cultura indiana da qual tive contato, como velas e flores, e o clipe representa um sonho, na verdade.

MP: O que vocês tem ouvido ultimamente? Conhecem algo de música brasileira?

Aurore: Eu estou muito encantada com a musica brasileira! Eu sabia que no Brasil existia samba e bossa nova, é o que sabemos pela mídia na França sobre a música Brasileira, e, quando cheguei aqui, fiquei mais impressionada ainda, pois existem muitos outros estilos musicais. Me apaixonei pela música de Chico Buarque, Vinicius de Moraes e Toquinho, mas o artista que mais gostei e ainda gosto, é o Seu Jorge – adoro suas musicas e o seu estilo, representa bem o Brasil. Outro fato curioso que particularmente aconteceu comigo por aqui é que estou ouvindo Rock e, por incrível que pareça, eu não gosto do estilo, mas parece que a atmosfera agradável do país fez com que eu ouvisse o Rock e buscasse novas sonoridades sem barreiras (risos).

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