Entrevista: Mallu Magalhães

Na correria para a divulgação do disco VemMallu Magalhães deixou a casa em Lisboa por alguns dias para vir ao Brasil promover o lançamento deste que tem tudo para ser um dos álbuns mais queridos não só do ano, mas de toda a década.

Em um papo por telefone com o Música Pavê, ela se mostrou agradecida por todo o carinho que tem recebido de crítica e público nas respostas sempre muito positivas sobre o disco, e fala dele como alguém que apresenta um trabalho do qual tem muito orgulho – também pudera, o registro apresenta não só belas composições e arranjos, mas uma Mallu mais firme em seu vocal, abraçando a grandiosidade sonora que o disco apresenta. Brinco que ela está se tornando a versão feminina de um Roberto Carlos e, rindo, responde: “Com certeza, esse é o meu ideal. Quanto mais perto disso chegar, mais incrível”.

Na conversa cheia de simpatia – sabe quando você ouve o sorriso da pessoa no jeito que ela fala? -, a cantora respondeu também perguntas dos leitores do site e os deixou ainda mais ansiosos para os shows que fará pelo país no segundo semestre.

Música Pavê: Vem é o primeiro álbum que você lança desde o trabalho com Banda do Mar. O que ficou desse disco e dessa turnê para você, o que aprendeu naquela experiência?

Mallu Magalhães: Acho que muita coisa ficou. Foi uma experiência importante para mim até para afirmar essa minha energia de atitude, sabe? Sempre quis ter uma banda de rock – acho que todo mundo sempre quis ter uma banda de rock (risos) -, eu pude dar vazão a esse meu impulso mais energético, mais roqueiro, que sempre ficou guardado. E é bom depositar essa energia na música.

MP: Você sempre faz participações nos trabalhos de outros músicos, só nesse ano já apareceu em Acalanto e com Momo em Voá. Para você, é importante ter essa troca com outros artistas?

MalluSim, é fundamental, eu sempre aprendo muito. E, acima de tudo, eu sempre faço amizades. Vou adquirindo repertório, vendo o que cada um tem de mais legal, sempre tem o que aprender. Mas eu curto muito é fazer amizades (risos), me divirto mais com as amizades do que propriamente desenvolvendo qualquer coisa musical.

MP: Essa pergunta foi enviada por um leitor: Você, quando você compôs as músicas Vem? Você se sentiu compelida a abordar o momento do país e do mundo nelas?

Mallu: Quando eu compus… desde sempre, porque algumas músicas são mais antigas, a gente pegou do baú de antiguidades (risos) e outras foram feitas durante o próprio disco, algumas foram feitas durante a turnê com Banda do Mar, então algumas já tem bastante tempo. Sobre ser compelida a abordar os assuntos, acho que sim, acho que eu abordo de uma certa maneira, mas nada muito diretamente. Eu tenho dificuldade em me posicionar de uma maneira muito assertiva porque eu não tenho tanta confiança de que eu sou a dona da verdade, ou que eu sei de tudo, então eu prefiro ficar observando e desenvolvendo meu senso crítico, pondo em prática as coisas que eu acredito. Prefiro ter um olhar crítico e de aprendizado, mais do que de ensinamento e tal. Mas acho que a minha contribuição para o Brasil e o mundo é mais sensível, emotiva, do que propriamente política ou qualquer coisa do gênero. Não me sinto tão capaz, não sei se tenho tanta bagagem para fazer um posicionamento realmente relevante. É importante, como ser social, praticar a compaixão e se colocar no lugar do outro no dia a dia, mais do que falar a respeito de tudo.

MP: Como você lida com essa questão, a de estar em evidência e, automaticamente, virar um “modelo” para as pessoas?

Mallu: (risos) Pois é, é um pouco difícil. Eu não queria ter toda essa responsabilidade, ao mesmo tempo que eu sinceramente acho que sou uma boa pessoa, então tudo bem se alguém me tiver como exemplo, acho que sou um bom exemplo (risos). Mas não me sinto super incrível a ponto de ser “profeta de toda uma geração”. Se as pessoas levam a sério o que eu digo, tudo bem. Mas já é trabalho suficiente, é mor trampo você ser uma pessoa íntegra, e manter a sua dignidade, e até manter sua honra e seguir o que você acredita, aí, além disso, ainda precisa ficar ligado nos outros? É um pouco muito.

MP: Essa também é de leitor: Qual música de Vem deu mais trabalho para gravar?

Mallu: Hmmm difícil. Será que foi Navegador? Acho que foi Vai e Vem, que a gente teve que regravar umas 30 vezes… 30 não, claro, mas pelo menos umas duas (risos).

MP: Para terminar, a última de leitor: Mudar-se para Portugal afetou a forma com que você faz sua arte?

Mallu: Ah, afetou sim. Eu sou muito grata a Portugal, é um país que me recebeu muito bem. E é um lugar muito calmo. Acho que essa calma dá uma tranquilidade para a gente fazer uma coisa autoral. Não existe o desespero de ficar olhando para os outros, você pode fazer o seu sem muito medo do que pode acontecer.

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