Entrevista: Jan Felipe

jan felipe

Passou rápido, mas já faz um ano e pouco que eu e muita gente ao meu redor ficamos encantados com Abril, tanto a faixa-título quanto o disco de Jan Felipe. Nesse meio tempo, pude acompanhar mais do seu trabalho e ficar ansioso para seu próximo lançamento – e eis que hoje nos chega seu EP Interludes.

Deixando seu lado folk à mostra, Jan nos entrega cinco músicas curtas feitas no violão, misturando novamente português, francês e inglês, incluindo um poema de Fernando Pessoa. Aproveitando a ocasião, bati um papo rápido com o moço sobre o novo trabalho – que você pode ouvir, baixar e compartilhar através do player em seguida.

Música Pavê:  Eu senti as músicas todas muito interligadas, me parecem contar todas pedacinhos de uma mesma história. Elas nasceram de uma mesma situação que as inspirou?

Jan Felipe: Elas foram compostas juntas, menos Contemplo o Lago Mudo (Fernando Pessoa), que já tinha adaptado há alguns anos e só decidi gravar agora. Elas são ligadas sim por causa disso, eu escrevi tudo na mesma época e falo das coisas que aconteciam na minha vida, falam de amor, relacionamento e do dia a dia. A música em francês eu escrevia no metrô observando as pessoas.

MP: O nome Interludes me deixou curioso. É o EP que vem no meio de fases maiores na sua carreira ou as músicas que expressam esse momento entre dois maiores?

Jan: É mais sobre a música em si do que sobre carreira. Todas as músicas são curtas, nenhuma passa de três minutos (eu acho) e “Interlúdio” tem esse sentido de algo breve. E também porque estava fora do Brasil durante um tempo curto, já sabendo que ia voltar rápido, momento em que gravei as músicas.

MP: Escrever/Compor e gravar tem algum significado “terapêutico” pra você, de sublimação/catarse ou algo assim? Digo isso porque tudo seu (e mais ainda o Interludes que o Abril, acho) me soa muito pessoal, muito íntimo.

Jan: Acho que um pouco sim, catarse talvez seja demais, mas tem um desejo de ser muito sincero nas letras e trágico na música. Não sei se e é terapêutico, mas ficar pensando em música torna a vida mais tranquila.

MP:  Sua interpretação vocal também parece mais íntima aqui, é como se você se expusesse mais. Isso foi uma decisão consciente ou resultado de seu amadurecimento desde o primeiro disco?

Jan: Pros vocais, eu realmente não fiz nada, não pensei nada de diferente do que antes. Talvez seja porque o EP tem um estilo mais folk.

MP: Você já tem outro EP sendo preparado. Por que você decidiu separar os dois ao invés de juntá-los em um só?

Jan: Tenho! Umas dez músicas que não sei se junto em um álbum ou divido em dois EPs, dependendo do tempo que vai levar pra gravar. Fiz a separação porque essas outras já são mais rock e eletrônico, iam destoar muito das baladas em violão. Os temas das letras vão ser menos pessoais também.

MP: Como você sente que uma música vai ficar melhor em português, francês ou inglês?

Jan: Pode ser pela melodia. Melodias que pedem palavras curtas são mais fáceis em inglês, eu acho. Ou do tema, se falo de lembrança na França, vou escrever em francês. Mas quero passar a escrever mais em português, desse jeito é meio esquizofrenico (risos).

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