Entrevista – Fernando Temporão + Michele Leal

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Para fechar com chave de ouro o mês de maio do Festival BRio, quarta-feira, dia 28, no Centro de Referência da Música Carioca (RJ), tivemos as apresentações do carioca Fernando Temporão, que lançou o incrível álbum De Dentro da Gaveta da Alma da gente – um disco de 2013 que não tem hora para te fazer feliz -, e de Michele Leal, uma menina com a voz tão encantadora quanto uma linda flor de Jacarandá.

O Festival Brasil no Rio aconteceu toda quarta-feira, desde o dia 7 de maio, no Centro de Referência (Tijuca), e contou com nomes importantes da cena independente brasileira como, Mahmundi, César Lacerda, Emerson Leal, Ventre, Posada e o Clã e Brunno Monteiro.

Poucos dias depois do show, o Música Pavê conversou um pouco com Fernando e Michele, e o resultado você pode ver abaixo.

Música Pavê: Como vocês avaliam as diversas cenas de música brasileira atualmente?

Fernando Temporão: Vejo tudo com muito otimismo. Existem vários movimentos de gente incrivelmente talentosa, seja a turma da música tradicional, do samba e do Choro da Lapa (do qual eu fiz parte também), seja o pessoal dessa cena contemporânea. Acho que o Rio de Janeiro tem esse mérito de ter soprado ao Brasil novos rumos pra música brasileira no final dos anos 90, com Acabou La Tequila, Los Hermanos, Mulheres Q Dizem Sim etc, embora seja uma cidade muito ligada ao passado e à tradição. Mas é difícil avaliar as cenas apenas artisticamente. Acho que, pra uma cena estabelecer artistas e consolida-los, é preciso um contexto que englobe casas pra que os artistas toquem, empresários, jornalistas, produtores, e toda uma rede que sustente uma geração talentosa como temos agora no Rio, em São Paulo, Belém, Recife etc. E isso raramente acontece.

Michele Leal: O Brasil é um país muito diverso na sua cultura. E, naturalmente, a diversidade musical de hoje é fruto disso. Faço parte de uma dessas diversas cenas. Acho incrível essa riqueza! Minha música é um reflexo disso. Tem baião, samba, rock, bossa. Enfim, tá tudo ali junto e misturado. Acho que dessas variadas cenas, a independente aqui do Rio, com Ava Rocha, César Lacerda, Negro Leo entre outros, e a de São Paulo, com Passo Torto, Juçara Marçal, são a turma que mais me agrada. Acho um som original, forte e com um fator crucial pra mim: verdade musical.

MP: O mundo se tornou ágil, veloz e intenso. Surgiram plataformas de vídeos (YouTube, Vimeo), redes sociais, likes, compartilhar e até o Hangout. Tudo foi ficando muito mais acessível e ao mesmo tempo cômodo. O que os festivais representam no meio de tanta tecnologia?

Fernando: Acho que não apenas os festivais, mas toda possibilidade de apresentação ao vivo é uma forma de consolidar com o público aquilo que é semeado virtualmente pelas redes. Hoje existe, inevitavelmente, o fã virtual, porque a Internet leva a nossa música para espaços que não poderemos ocupar fisicamente. Isso é bom, é uma conquista da tecnologia. Mas essa conquista não substitui o contato direto entre artista e público. Essa mistura produz um terceiro elemento que não acontece nas telas de computador. Então é importante que hajam shows e festivais – como panoramas ou retratos de um movimento – para que esse comodismo da exposição virtual seja transformado em algo orgânico, real.

Michele: As plataformas que se tem hoje são inúmeras. E elas jogam ao nosso favor, do artista independente. Graças a elas, podemos compartilhar nosso trabalho e nos fazer notar. E o Festival é tudo de bom. É quando temos a chance de propagar a música, de estar perto do público, de formar novos públicos, de vibrar com a música. Uma iniciativa importantíssima pra nós músicos. Queremos tocar. Queremos mostrar o que estamos produzindo.

MP: Como isso pode ajudar na disseminação do seu trabalho?

Fernando: Acho que a vantagem dos festivais é poder tocar para um público que não está ali exatamente para te ver. É muito bacana ter essa chance de se apresentar para o público de outros artistas. Acho que é uma forma legal de expor o trabalho e ampliar o público.

Michele: Como falei acima, existe a necessidade de se formar público. E o festival existe pra isso. Pra ajudar nessa formação, pra que a troca aconteça entre os músicos participantes. Eu mesma adorei por ter assistido ao show do Temporão, que até então não tinha tido a oportunidade.

MP: O que o público do Festival BRio e o público de outros estados podem esperar de vocês em um futuro próximo?

Fernando: Eu tenho feito um esforço gigantesco para sair do Rio de Janeiro e mostrar o disco em outras cidades. Agora, as dificuldades são sempre muito maiores do que as facilidades. Já levei o show pra São Paulo, acho que estarei por lá mais vezes no segundo semestre, mas a grande conquista é sair desse eixo RJ- SP e poder soprar essa música pros lugares que certamente ainda não sabem dela. Mas tudo depende de grana, convites, espaços, estrutura. Acho que o que meu público pode esperar, é uma vontade gigantesca de rodar o Brasil com esse show, que tá lindo demais.

Michele: Pode esperar e acreditar que existe uma galera nova fazendo um trabalho muito legal, verdadeiro na sua essência. A música toca as pessoas quando tem esse elemento. Eu acredito nisso e faço música pensando assim. E, quando for o tempo certo, esses trabalhos vão naturalmente ganhar relevância em um suposto cenário musical. Creio eu que ainda há muito o que amadurecer até que se chegue nesse lugar. Muito trabalho pela frente!

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