Entrevista: Far From Alaska

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Não faz muito tempo que Far From Alaska ganhou status de “novo nome no rock nacional”. Mais do que rotular a banda, essa é uma tentativa de reconhecer o barulho que ela já vem fazendo em tão pouco tempo. Agora, o grupo já colhe os frutos do sucesso de Mode Human, seu primeiro disco. Um deles é ser atração do Lollapalooza Brasil, que acontece em São Paulo em 28 e 29 de março.

Foi já na onda do show no festival que conversamos com Cris Botarelli, a tecladista da banda. Falamos sobre o Lolla, planos para o futuro e muito mais.

Música Pavê: Vocês são uma banda de formação relativamente recente, e amadureceram muito no palco de festivais. Como isso serviu para que a banda crescesse? O que vocês acham que o Lollapalooza vai acrescentar em termos de aprendizado nessa trajetória?

Cris Botarelli, da Far From Alaska: Festival é simplesmente nossa situação de show favorita! Você conhece muita banda e muita gente passa a te conhecer ali! É onde você sente muito mais intensamente a troca da galera, porque como o público não está composto só de fãs seus, o seu show vira um termômetro da sua banda, se contagiar geral é porque tá no ponto! Nesse sentido, o Lollapalooza vai ser demais pela quantidade de gente que vai ter que não conhece o FFA! E é isso que a gente quer também, sabe? Além de fazer um show pros fãs, queremos é espalhar esse som o quanto pudermos e não há oportunidade melhor! Isso porque é claro que o público, quando compra o ingresso, o faz pensando numa banda ou outra, mas ainda sim rola essa de ir cedo, conhecer coisas novas, ver shows de bandas que nunca ouviu falar! É aí onde eu acho que vai somar mais pra gente!

MP: Far From Alaska faz parte de uma nova geração que está injetando fôlego no rock brasileiro. Por outro lado, vocês escolheram se expressar em outra língua. Isso foi algo pensado ou aconteceu naturalmente?

FFA: Isso não foi pensado, é só como a gente sabe fazer, se sente bem fazendo e como se expressa melhor. A gente vem de uma cena (Natal/RN) onde isso não é uma questão, tem bandas em inglês, em português e as pessoas curtem do mesmo jeito, nunca ninguém foi rechaçado por isso. Quando a gente começou a fazer um barulhinho fora de casa é que percebemos que as pessoas ainda valorizam muito isso de ser em português e, por isso, rola todo um questionamento filosófico sobre a identidade cultural do jovem brasileiro hoje etc etc etc infinitos. Uma grande bobagem. No rock, a língua nunca foi uma barreira. Talvez no sertanejo universitário seja, mas no rock não. É fantástico quando você é um grande letrista de rock em português, achamos o máximo, mas se nossa forma de expressar sentimentos é em inglês, fazer o que? Ser fake em prol de “ter mais fãs”? Não é muito a nossa cara. E mais, todo mundo não escuta Beatles, Rolling Stones, Nirvana, Queens Of The Stone Age, Foo Fighters? É tudo em inglês, uai! (risos) Deixa de ter fã no Brasil por causa disso? Não deixa. Então fim, né?

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MP: Talvez até por causa do inglês, é possível associar a sonoridade da banda com algumas influências gringas. Só que mais do que isso, vocês trazem uma bagagem própria, de outros projetos que tiveram antes do FFA. O que cada um contribuiu para formar o som da banda?

FFA: Cada um de nós é absurdamente diferente no quesito música e a gente acha isso muito legal e frutífero pras músicas. No processo de composição, a única regra que temos é que os cinco fiquem satisfeitos no final. Então, pra agradar todo mundo, tem que rolar uma mega salada de referências, não intencionais na maioria dos casos, mesmo porque a gente não acredita nessa coisa de influência muito direta de banda x ou y, se não num tem graça, né? Fica meio com cara de cópia, né? O legal é deixar acontecer naturalmente. Pagode feelings essa frase (risos).

MP: Vocês tocaram na mesma edição do Planeta Terra que Garbage e, pelo visto, conheceram a banda, que até chegou a compartilhar o trabalho de vocês na Internet. Como foi essa experiência?

FFA: A gente conheceu ela no lobby do hotel do festival como fãs, ela não chegou a ver o show da gente. Batemos um papo e falamos da nossa banda pra ela, que ficou muito animada em saber que era nosso segundo show, desejou muita sorte e etc. Uns dois meses depois ela soltou um post na página do Facebook do Garbage dizendo que havia acordado lembrando do nome do FFA e decidiu procurar alguma coisa no YouTube. Ela curtiu muito e recomendou pra geral. Isso foi absolutamente demais! Imagina você acordar com um post de uma heroína da sua adolescência recomendando sua banda? (risos) Depois disso sempre rola uma interaçãozinha pelo Twitter ou mesmo Facebook. Quando lançamos alguma coisa, geralmente mandamos pra ela e ela sempre comenta apoiando. É uma fofa, mesmo!

MP: Vocês causaram uma ótima primeira impressão com seu clipe Dino vs. Dino. Já tem planos para lançar um novo?

FFA:Temos sim, inclusive pela mesma produtora (Granada Filmes) e com os mesmos diretores do primeiro. A faixa contemplada é About Knives e devo dizer que se você se impressionou com o clipe de Dino, vai cair pra trás com esse novo. É filmado em vários países e é uma loucura! Os meninos são demais! O lançamento está previsto para antes do Lolla, ainda não definimos a data!

MP: Falando em novidades, quando tocaram no Terra, vocês foram descobertos por um público novo que estava tendo ali o primeiro contato com a banda. Hoje, já são atração bem aguardada no Lollapalooza, e tudo isso aconteceu com bastante rapidez. Já deu tempo de parar e avaliar os próximos passos? Já estão compondo novas músicas?

FFA: Ainda não estamos compondo novas músicas (não coletivamente, pelo menos), o disco ainda não fez um ano de lançamento e esperamos rodar muito com ele ainda, onde pudermos. Acho que os próximos passos são esses, a gente não é muito de planejar, mas sabe que é ainda cedo pra um disco novo tendo tanto por fazer com esse ainda, tantos lugares pra ir, tantas pessoas pra conhecê-lo!

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