Entrevista: Cícero

Na primeira vez que vi o clipe Tempo de Pipa, ouvi o disco Canções de Apartamento e conversei com Cícero, em julho, eu sabia que estava tendo contato com música de altíssima qualidade, mas não acho que não tinha ideia do quanto o músico e sua obra marcariam 2011. Vi os leitores do site comentando e compartilhando nas redes sociais sobre o álbum (com download gratuito no site oficial), conversei com outros músicos sobre ele e, principalmente, vi o impacto daqueles versos e melodias na vida de muita gente à minha volta – alguns que enfrentavam a solidão, outros apenas sensíveis em relação às questões cotidianas, todos encantados com a sinceridade de Vagalumes Cegos, Açúcar ou Adoçante? e Ensaio sobre Ela. O apartamento é a prisão onde a intimidade se liberta, procurando novas maneiras de contato e comunicação dentro dos temas que a gente sempre acaba sentindo. Aproveitando sua passagem por Sampa em novembro, sentei para conversar com ele pessoalmente e confesso que não sabia se o papo em uma cafeteria lotada, com muito café e brownie na mesa, daria conta da profundidade dos temas que esse carioca de 25 anos trabalha. Sorte nossa ele ser alguém tão sincero e intenso (além de muito falante e simpático) que toca naturalmente nos assuntos que ficam melhor em comentários do que em perguntas. Veja o que Cícero nos contou sobre o ano, solidão, sociedade, a figura do “novo músico”, os planos para um livro e a repercussão do seu primeiro disco.

Tempo de Pipa (videoclipe)

Música Pavê: Dá pra dividir o seu 2011 em duas partes, a.C. e d.C. (antes e depois do Canções de Apartamento)?

Cícero: (risos) Cara, não sei… Pra mim, o disco começou lá em 2008, mas todo dia ainda tem alguém descobrindo o disco, todo dia recebo mensagem falando “bicho, ouvi seu disco ontem”. Então, não sei, não consigo situar o disco muito no tempo. O que eu sei é que eu recebi muito mais carinho pelo disco do que eu pensei que fosse receber em só quatro ou cinco meses.

MP: Mas sua rotina não mudou muito depois do lançamento?

Cícero: Não, cara, minha rotina já era muito doida, muito fora do normal. Eu trabalho na noite, como produtor de festas e DJ, então eu trabalho sábado de madrugada, sexta de madrugada – sábado é minha segunda-feira, meu domingo é terça. Acordo duas da tarde, vou dormir cinco da manhã, eu sou todo atravessado na ordem social mesmo, sabe? Conheço muita gente da noite do Rio de Janeiro porque eu trabalho na noite, mas às vezes eu vou à padaria comprar um pão, alguém chega e me cutuca: “pô, adoro seu disco”. Vou ao banco e alguém fala: “posso tirar uma foto?”, é um carinho que mostra que o disco ta andando, saiu do círculo das pessoas que eu conheço e tá sendo ouvido por gente que eu não conheço. Aí o disco começa a virar uma coisa “do mundo” mesmo.

MP: Começa a virar do mundo, mas sem deixar de ser todo seu, já que tudo ali é muito pessoal, né?

Cícero: É muito doido. Você faz uma música falando de você, aí aquela pessoa longe pra caramba ouve, se identifica, e agora a música fala dela, então aquela música parece ser tão dela quanto sua. Na minha opinião, não é o meu sentimento e a minha vida que estão naquela música, aquela música ta pra representar todo mundo que se identifica com ela, sabe? É como se eu compartilhasse daquela música tanto quanto a pessoa que ta ouvindo, nós dois ouvindo aquela música e se identificando com ela. Não vejo como uma coisa minha que estou “dando pra alguém”, vejo como uma coisa minha que eu botei no mundo pra todo mundo compartilhar, inclusive eu.

MP: Era algo seu, que outra pessoa faz ser dela. Como você fica depois desse processo?

Cícero: Acho que a gente vem passando por um momento em que ta todo mundo reavaliando a solidão. Não sou só eu. Os tempos modernos vieram trazendo isso, sabe? A gente sente o deslocamento do mundo, a gente não se sente muito abraçado pelo mundo hoje em dia. Então, acho que quando você se identifica com uma música de uma pessoa em níveis bem íntimos, a intimidade daquela pessoa chega na sua intimidade, tem uma ligação ali que talvez você não encontre o tempo todo no “mundo real”. Acho que as pessoas viraram muito personagens delas mesmas. Quando você se identifica com uma música que te toca, e você vê uma outra pessoa que se identifica com aquela mesma música que te tocou, você olha pra aquela pessoa também com olhar de identificação. Vai gerando uma sensação de “caramba, a gente não ta sozinho dentro das nossas minúcias”. E aí eu to ali no meio. “Pô, que legal que você se identificou”, fica todo mundo meio que “é, isso aqui a gente tem em comum, então talvez a gente não esteja tão sozinho como a gente acha que está”, sabe? Então por isso que, pra mim, eu me coloco junto com a galera, por que na verdade o sentimento que eu sinto quando alguém se identifica com a minha música é o mesmo que ela sente, de estar compreendendo, refletindo. Eu ouço umas músicas de antigamente, dos anos 60 ou 70, e eu falo “pô, é isso”. O cara viveu naquela época, que que eu tenho a ver com aquele cara? O mundo era outro, mas eu sinto uma ligação com aquele cara, por que eu sei que ele lançou um olhar sobre o mundo que eu também lanço, então você entende que o mundo que você vê existe pra mais gente.

Cecília e os Balões (promo para o show de lançamento do disco)

MP: Uma coisa que a gente vê acontecendo agora é uma mudança muito grande no cenário musical, com os independentes encontrando cada vez mais seu espaço. Como você enxerga a mudança da própria figura do músico, que deixa cada vez mais de ser uma “estrela” e voltando a ser mais “humano”?

Cícero: Eu acho que esse é o grande lance desses tempos atuais. Eu acho que a música vai existir em dois nichos. O mainstream vai continuar mainstream, porque ele tá dando certo assim (as grandes duplas sertanejas continuam faturando muito, os grandes fenômenos pop internacionais também), só que eles estão cada vez mais focados em “vender muito”, em “ser grandes”. Só que aí você tem também outro nicho em paralelo cada vez mais focado em só fazer boa música. Já não tem mais quase ninguém que fique ali no meio, quase nenhum crossover disso. Isso é o começo pra esse outro caminho paralelo começar a se organizar. Por exemplo, eu não tenho gravadora, produtor, empresário, distribuidor, contato, eu não tenho nada, e eu tô aqui tocando em São Paulo, vou tocar em Belo Horizonte, vou tocar e Curitiba, no Recife, claro que de uma forma bem mambembe ainda, mas única e exclusivamente por causa do retorno das pessoas pela Internet. Ou seja, a galera já tem essa força, já leva as pessoas pra onde ela quer. Já é um passo acima daquilo que era há dez anos, quando as pessoas até conheciam o cara, mas ele não conseguia ir. Então, as coisas estão caminhando pro cara conseguir o mínimo de logística pra bancar uma situação legal, poder pagar um aluguel, colocar gasolina no Passat, poder viver daquilo sem precisar de uma superexposição que custa o preço de concessões na música dele e na postura dele de vida. Eu acho que a nova geração ta aprendendo a botar música no patamar de “mundo real”. Eu não me sinto nem um pouco confortável com aquela coisa de ser um “artista”, alguém que gera um incômodo por estar perto. Cara, eu faço questão de nunca precisar disso pra poder me afirmar. Eu preciso continuar falando com a galera e aquilo ser uma comunicação real, por que pra mim isso é matéria prima pra eu poder fazer música, poder olhar no olho de pessoas reais. Então, acho que é importante demais esse outro nicho que indiscutivelmente eu faço parte. Eu não só não acredito na Indústria Fonográfica como também não acredito nos valores que ela pregou nesses últimos 40 anos. Eu acho que você quantificar a música, capitalizar a música, é um troço muito perigoso. Eu não vejo nenhum sentido em você vender música, seja um disco, uma faixa na Internet, não vejo sentido pela raiz básica dela. O passarinho não vende a música dele. Música não se vende, é uma expressão de você, sabe? Você trabalha em cima de uma necessidade social de você ter que pagar suas contas, você tem que pagar seu aluguel. Ok, eu não sou hippie, eu preciso de dinheiro pra essas coisas, mas eu preciso também respeitar a música e o que ela é pra mim.

MP: Eu vejo uma lucidez muito grande quando você diz isso, dá pra ver que são coisas que você já trabalhou bem. Mas não te dá um frio na barriga, uma sensação de estar desbravando algum caminho novo, sendo quase um pioneiro nisso tudo?

Cícero: Cara… (pausa) Eu tenho medo. Claro que tenho. Eu venho de uma família tradicional, meu pai é advogado, minha mãe é engenheira, minha tia é médica, fiz uma faculdade de Direito, me formei, peguei diploma. Quando você resolve largar tudo isso por uma convicção subjetiva interna sua… Porra, você tem que ter uma convicção muito grande, por que ta o mundo inteiro esperando dar errado. Só que se você não entra nesse jogo de “êxito” e “fracasso”, você não corre o risco de perder. Eu não faço música “pra dar certo”, eu não quero “acontecer”, eu não quero ser nada. Eu só quero o direito de continuar fazendo arte e vivendo a freqüência do que a arte proporciona. E aí, pra mim, isso já é ter dado certo. Então, o medo diminui. Eu vou viver, sei lá, mais 40 anos, sabe? Que que eu posso construir de mais bonito do que uma música que desperte algo bonito em alguém? Nos meus valores internos, não tem padaria, confeitaria, prédio, causa, não tem um processo que eu possa ganhar que vai me fazer sentir mais útil pra humanidade do que fazer uma música que faça uma pessoa refletir sobre alguma coisa que ela mesma tem. Então esse pra mim é o êxito. “Você tem medo da escolha que você fez?” – não, minha escolha já deu certo. A música já chegou nas pessoas. Amanhã eu posso ficar duro, mas aí eu penso. Sei lá, vou vender pipoca, vou vender churros na praça, vender bananada na praia, qualquer coisa. Dinheiro não é uma coisa que me assusta. Eu não tenho medo de não ter dinheiro. Eu tenho medo de me perder de mim mesmo no meio dessa confusão que a sociedade inventou que eu tenho que fazer. O que eu tenho é que passar os 80 anos que eu vou passar aqui com o mínimo de respeito por mim mesmo. Se eu vestir a roupa do personagem que me disseram que eu tenho que ser, eu vou ser é mais um frustrado e eu não tenho estrutura emocional pra isso, eu começo a ficar danificado, começo a ficar mal se eu não consigo fazer o que tenho que fazer.

Vagalumes Cegos (só áudio)

MP: Qual é a diferença pra você de estar mal e isso te inspirar (como aconteceu para muitas faixas do Canções) e esse estar mal improdutivo?

Cícero: A gente tem um processo, sabe? Eu acredito muito que nossa passagem aqui no mundo é pra aprender coisas muito simples. A gente tem que aprender, basicamente, a dar, receber e se relacionar. Eu acho que esse é nosso aprendizado básico. A gente começa a ocupar nossa vida de um monte de coisas, quando na verdade a gente tem que aprender a dar, receber e se relacionar. Esse processo é doloroso, só que ele é da natureza humana. Isso é uma coisa que a gente deveria se ocupar pra aprender. E é sobre isso que o disco fala, essa coisa de você estar aprendendo a se relacionar com o próximo, com você mesmo, com alguém que você goste e com alguém que você não conhece. É aprender a dar o que você tem, aprender a dar o que você não tem, a receber o que você não quer… E isso tudo me interessa muito. Vasculhar isso, cutucar isso, porque isso é o que realmente ta mexendo comigo o tempo inteiro. Agora, esse outro tipo de “estar mal” que eu digo é por uma coisa que não está inerente à natureza humana, uma coisa social que foi inventada pra fazer a sociedade funcionar. É outra onda. Essa coisa interna que a gente tem é uma coisa que, cara, se você nascer e crescer numa caverna, são coisas que vão aparecer. Esses outros não, é um monte de informação externa que vai te bombardeando desde sempre e você não questiona se tem que fazer ou não. É muita pressa, eu falo disso no disco, é muita pressa, é muita gente, é muita coisa, é muita parada que tem que lidar – mas pra quê lidar com aquilo que não serve pra nada? É um “elefante branco” mesmo, ta atravessado na sua vida e você tem que aprender a lidar, você perde um tempo de vida gigante com aquilo e um monte de fantasmas, de angústias, de agonias que você vai carregando no peito. Eu vi isso acontecendo comigo, com meus pais, com meus avós, com meus amigos mais novos, eu vejo isso acontecendo o tempo todo no olhar das pessoas na rua, na noite. Como eu trabalho com entretenimento, com festa, eu vejo aquela coisa da madrugada, dos “seres da noite” – e eu sou um deles – querendo se romper, se extravasar de um dia que foi ruim. E aquilo não faz sentido. Você ta correndo de você mesmo, sendo o cavalo de um jóquei que não existe. (estalando os dedos) “Corre, corre, corre, vai mudar de faculdade, casamento, empresa, apartamento, carro, corre, corre, pressa, horário, horário, horário, dinheiro, dinheiro, dinheiro” – porra, dinheiro não compra quase nada, cara. Dinheiro compra televisão maior pra você ver o mesmo programa da televisão melhor. Compra um celular que faz mais coisas do que o outro que tinha coisas que você não usava pra nada. Comprou uma casa bacana pra você ficar sozinho dentro dela, um carro pra você ficar engarrafado. Colocaram um valor no dinheiro que é ridículo, e um valor na sua posição social que tenta ser um sinônimo de engrandecimento interno. Você é um juiz, você é um presidente, um delegado, um médico – como se isso fosse a manifestação máxima de você, porque você é um quadro social. Pô, cara, isso é uma solidão absurda, ninguém é personagem. A gente dorme, a gente se encontra com a gente mesmo e é um monte de coisa complicadinha pra resolver na nossa cabeça. Se a gente não pára pra dar atenção, não se resolve sozinho.

MP: A sua sinceridade pra escrever e falar sobre essas coisas é natural da sua personalidade ou foi algo que foi sendo construído com o tempo?

Cícero: Eu não sei (pausa) Eu acho que eu sou muito impulsivo, então eu sempre me coloquei em situações em que eu tinha que resolvê-las. Sempre me empurrei. Eu sou muito tímido, era ainda pior quando eu era moleque, aí eu fui e montei uma banda, me coloquei na posição de cantar e tocar guitarra sendo o cara mais tímido do mundo, sabe? Eu tinha pânicos de palco. Eu tenho pânico, tive uma crise de pânico, tive que tomar remédio, é uma coisa complicada pra mim. E eu sempre fiz isso. “Ah, vou pra Nova York, vou pro Alabama fritar hambúrguer pra ver o que eu quero. Vou me mudar, sair da casa da minha mãe onde sou super mimado e bem tratado e vou aprender a lidar com a solidão”. Sempre me joguei nas situações que eu tivesse que me resolver por que essa força interna de você se movimentar por conta própria é muito difícil. Se você se coloca na chuva, você se vira pra aprender a resolver. Se você fica num lugar coberto, você fica um tempão vendo a chuva passar e nunca sai. E eu sempre me coloquei nessas situações, e no Canções de Apartamento, foi isso o que eu fiz. Eu me expus de uma forma que “agora já era, agora todo mundo já ouviu, agora vou ter que dar um jeito de me virar com isso”. Eu cresci em um bairro muito distante do centro, sem cinema, teatro ou livraria. Se eu quisesse ter acesso a alguma coisa, eu tinha que me virar pra ir atrás. Acho que essa movimentação começou dali, acabou virando quase que um hábito meu.

Açúcar ou Adoçante? (ao vivo em Belo Horizonte)

MP: Você continua compondo muito?

Cícero: Componho o tempo inteiro. Componho desde os 17 anos. Na pré dos canções, eu tinha levado 40 músicas. Eu vou engavetando tudo.

MP: O teor do Canções é esse, se jogar nessa exposição toda. Você já consegue imaginar qual vai ser a pegada do próximo álbum?

Cícero: Cara, pro meu próximo trabalho, eu to pretendendo que não seja musical. Vou tentar editar um livro, o Poemas de Apartamento. É a outra parte do Canções, o que eu queria ter falado e não falei no disco, numa outra linguagem. Depois disso, eu pretendo – é lógico – gravar um próximo disco, não pra agora, mas eu vou querer de novo me olhar, ver em que estado de espírito que eu tô, vendo o que eu to sentindo e pensando, e daí eu vejo o que vai ser. Eu não quero ficar escravo de uma expectativa ou de um planejamento. Eu quero estar sempre nesse processo de me expor do jeito que eu to naquele momento e as pessoas vão vendo meio que uma biografia na discografia.

MP: Conversamos de muitas coisas que deram certo com esse seu primeiro álbum. Teve alguma coisa que deu errado até agora?

Cícero: Cara… Como minha perspectiva pro Canções de Apartamento era zero, tudo é lucro. Quando eu botei o disco na Internet, eu não tinha banda, não fazia ideia como eu ia tocar aquelas músicas, não tinha nem 100 pessoas curtindo minha página, não conhecia ninguém… Então, cara… Oportunidade pra sair  tocando por aí, pra dar entrevista, as pessoas se identificando com minhas letras, eu tendo a honra de tocar essas músicas ao vivo pras pessoas que querem ouvir… Isso é lucro. Se eu tocar num lugar em que o som é horrível, já é lucro, porque eu to tocando. Se eu tocar pra dez pessoas, já é lucro, porque elas querem ouvir o disco. Eu não quero dominar o mundo, então é tudo muito gratificante. As pessoas tem tanto carinho pelo disco, seria uma ingratidão imensa minha pensar que algo deu errado.

Barely Legal (cover para a música da banda The Strokes, ao vivo no ShowLivre.com)

 

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9 Comments on “Entrevista: Cícero

  1. Ler tudo isso tão imediatamente depois de ter visto o show de BH leva a emoção pra um nivel ainda maior.
    Valeu, MP.

  2. “Você é um juiz, você é um presidente, um delegado, um médico – como se isso fosse a manifestação máxima de você, porque você é um quadro social. Pô, cara, isso é uma solidão absurda, ninguém é personagem. ”

    Cícero Supertramp

  3. O CD dele mexeu comigo de um jeito que eu nem sei explicar..
    Foi assim, rápido. Ouvi uma vez, e pensei: “puts, que que esse cara tá falando?” Tá falando da vida, da dele e da minha.. e pelo jeito, de muito mais gente.

    Assisti o show dele em BH, e a emoção estava a flor da pele. Muita gente compartilhando dos mesmos sonhos, medos e paixões. O mundo ainda tem tempo pra isso.

    Essa entrevista me fez apreciar ainda mais não só o trabalho do Cicero, mas sua percepção do mundo, das coisas.. Como é bom finalmente enxergar que existes pessoas assim.

  4. sincero, muito humano, com pontos de vista interessantíssimos… Já era apaixonado pela arte do cara, agora sei que por trás tem um ser humano bem bonito (num tempo em que anda sendo muito difícil ver pessoas por trás das músicas, se é que me entende).

    E a entrevista tão bacana que a gente se sente sentado no café junto com vocês.

    Lindo trabalho, Dé. Adorei, cara.

  5. Como descrever o que eu to sentindo depois de ler isso? Ouço Cícero por mera conscidência, quando me dou conta estou com olhos cheios d’água. Tempo de pipa.. lembranças da infância, das idas ao circo, dos encontros, dos desencontros da vida.. Baixo o CD, putz.. que mergulho, que cara talentoso! Leio isso e esse cara que mal conheço me incomoda, me faz pensar .. O mundo, a sociedade exige, nos cobra o tempo todo. Quanto custa viver de mentiras? O quanto custa viver de verdades? Sao tao poucos os que sabem o que é felicidade. Estamos sempre insatisfeitos, em busca de uma alegria, de uma estabilidade perene que nunca se atinge.. Por que o ser humano costuma ser tao cego frente aos seus desejos? A felicidade tava ali, num passeio de bicicleta numa tarde de segunda, numa taça de sorvete e onde estávamos? Trancafiados num escritório, angustiados numa sala de aula, pensando estar investindo em felicidade a longo prazo.. Eis uma legião de frustrados, estressados, de quando em vez ricos.. será que valeu? Papel compra alegria, vende solidao?
    Tocar as pessoas com uma letra de uma música já é de todo um gesto nobre, mas mais nobre ainda é despertar nelas isso que eu to sentindo. Identificação, segurança de que optar pela felicidade ainda é, ou pelo menos parece ser o caminho certo. Alguém já se arrependeu por ser feliz? por fazer o que gosta? Ta ai, nunca vi.

  6. Pingback: Cícero na Avenida : Música Pavê

  7. Foi um amigo que me apresentou uma das músicas do Cícero. Logo me encantei, que cara talentoso. Depois de ler essa enrrevista, então, pude perceber que além de um cara talentoso o Cícero é um ser humano muito sensível e intenso. Estou sem palavras. Acho que lendo muita gente sentiu o mesmo que eu senti, é só.

  8. Sinceramente, a cada dia que passa, a cada hora e minuto, eu me apaixono mais pelo disco, pelas letras, pelo cantor. Muito obrigada por essa obra musical divina.

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