Entrevista: A Banda Mais Bonita da Cidade

Exatamente sete meses depois da primeira vez que conversamos, pude bater um papo com Vinicius Nisi, o tecladista da Banda Mais Bonita da Cidade (o segundo na foto, da esquerda para a direita). Naquela vez, o vídeo Oração tinha acabado de bombar e colocou o grupo em evidência no Brasil inteiro. Agora, com um belo disco lançado (após crowdfunding pelo Catarse), shows em diversas cidades (incluindo em Portugal e França) e participações em várias mídias, a banda segue trabalhando para se distanciar da ideia de ser “apenas um hype da Internet, disponibilizando a beleza de sua música (que eles brincam definir como “Canções Melodramáticas”) em download gratuito. Sem dúvidas, uma das caras da música em 2011. Confira a entrevista feita por telefone logo abaixo.

Oração

Música Pavê: Vinicius, hoje faz exatamente sete meses que nós conversamos pela primeira vez.

Vinicius Nisi, da Banda Mais Bonita da Cidade: É mesmo? E faz exatamente sete meses e um dia que postamos Oração.

MP: Pois é! Naquele dia, você me disse que vocês estavam todos “à flor da pele, querendo aproveitar a maré, mas com medo de fazer besteira, porque tudo isso é muito novo” pra vocês. E agora, como estão?

Vinicius: Então, nos últimos meses até agora a gente tá muito à flor da pele, aprovietando a maré, mas com medo de não fazer besteira porque tudo é muito novo (risos). Não mudou muita coisa não, a gente tá vivendo uma grande sobrevida de Oração que a gente tem que aproveitar, vivendo a vida como banda e tomando cuidado com nossa carreira, como a gente teria feito se não tivesse tido tudo isso, pensando as atitudes que temos que tomar sem deixar isso mudar a maneira que a gente pensa sobre nosso trabalho.

MP: Como foi realizar a experiência de produzir o disco através do financiamento coletivo?

Vinicius: Foi muito legal! Era um grande desafio, um tiro no escuro, a gente não sabia se alguém ia entender o que a gente estava propondo, ou se alguém ia colaborar. E, no fim, deu super certo sim, só uma das músicas não conseguiu o financiamento, mas tudo bem, porque a gente já estava planejando lançar uma música de brinde – que, no caso, foi Se Eu Corro.

Se Eu Corro

MP: Ter estourado na Internet implica na maneira que vocês se relacionam com o público, mais diretamente do que bandas que trilham outros caminhos?

Vinicius: Foi natural. O público que compartilhou Oração fez isso pelas Redes Sociais, e a gente assumiu que essa seria a maneira com que a gente se relacionaria com eles – Facebook e um pouco também pelo Twitter. Lá a gente acompanha toda a repercussão daquilo que a gente faz, e o pessoal compartilha reportagens feitas em outros estados e que a gente nem ficou sabendo. É legal, é um feedback importante e a gente conhece o público, a gente sabe exatamente quem ouve a banda.

MP: Vocês se preocupam em se mostrar como uma “banda de verdade” e não como um “hype da Internet”?

Vinicius: A gente sempre se portou mais como banda do que como um hype da Internet. A gente não martela muito no nosso YouTube, ou fica tentando fazer outros vídeos como Oração pra ver se bomba. A gente continua como banda e se sustentando como banda: Fazendo shows, gravando disco… Oração é encarado como mais um vídeo, por mais legal que tenha sido pra gente. Quem acompanha a banda, mesmo quem só conheceu depois do estouro, sabe como é.

MP: Como foi a experiência de tocar na Europa?

Vinicius: Olha, foi surreal! O disco ainda não está sendo distribuído por lá, é tudo só pela Internet, aí a gente chegou e foi fantástico, as pessoas conheciam nosso trabalho, nos trataram super bem, fomos muito bem acolhidos – o povo nos tratou como se fôssemos de lá. E foi um choque. Na primeira música do primeiro show, me deu um choque. Eu pensava: “A gente tá aqui fazendo um show em outro continente!” (risos). E o pessoal gostou muito. Era um pessoal que acompanhava, que sabia as músicas. Não eram curiosos, ou gente que não conhecia as músicas.

A Balada da Contra Mão (clipe em 3D feito para a LG)

MP: Vinicius, explica pra gente o que é isso de “Canções Melodramáticas”?

Vinicius: (Risos) A gente não tem muito bem um termo que define a nossa música. A gente nunca pensa muito nisso quando faz os arranjos ou grava, “ta muito rock”, ou “tá muito MPB”, “isso não tem a nossa cara” – NÃO, a gente faz como a gente quer fazer, daí a gente virou e fez esse termo. Foi engraçado e forçado – como a gente gosta (risos) – e ficou divertido e diferente das outras bandas. É irônico e, ao mesmo tempo, tem o cunho da musica que a gente faz.

MP: E em 2012, o que vai acontecer para A Banda Mais Bonita da Cidade?

Vinicius: Em 2012, a gente vai batalhar pra fazer o máximo de shows e divulgar o disco pelo Brasil. Vamos ver como acontecem as coisas, talvez a gente lance um DVD, ou uns especiais, vamos ver (risos). A questão é fazer shows, esse é o principal.

(Créditos das fotos: Capa – Marco Novack/Essa aqui acima – Rosano Mauro Jr.)

 

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