Dom Pescoço e seu Despertar em Loops

dom pescoço, por jaíne lima

Dom Pescoço acaba de publicar seu segundo e mais novo videoclipe de carreira, o “surrealista” Manhã, oriundo da quinta faixa do seu EP de estreia, Temperar, lançado pelo selo Bigorna Discos no segundo semestre de 2016. Aliás, a banda de São José dos Campos, interior de SP, vem de uma turnê de lançamento deste disco pelo sul do país. Foram 25 dias de viagem, três gravações audiovisuais + um single, oito cidades, 11 shows, três estados e mais de cinco mil km rodados. Quase uma pequena odisseia, toda documentada.

Manhã brinca com aspectos do imaginário dos sonhos e seus despertares, aqui com um teor de crítica ao cotidiano. O personagem acorda muitas vezes dentro do mesmo sonho, sem conseguir sair dele, numa espécie de loop infinito que acaba se transformando sua vida e, por analogia, nossas próprias. A busca, parafraseando o poeta Drummond, é como “Acordar, viver! Mudar o cotidiano”. Não obstante este criticar óbvio que aparece no clipe, principalmente quando políticos contemporâneos e suas polêmicas políticas são pinceladas dentro da TV, podemos nós mesmos refletirmos o próprio sentido da palavra “acordar”, que no dicionário significa “sair do sono” e a palavra “sono”, o “estado fisiológico caracterizado pela insensibilidade dos sentidos”. Pelo fim desta insensibilidade. Tudo ali é uma ode ao despertar! Despertar para o amor, para a vida, para a cor do sol, para o dia e para as possibilidades de reflexão que o pensamento crítico dá. Em tempos estranhos de conservadorismo e atmosferas não progressistas, a banda trás de forma implícita o fomento ao pensar, à reflexão, à necessidade máxima de evoluir como sociedade justa e igualitária. Sonhar para acordar quantas vezes necessárias. E agir! Nisto, para transformar o mundo, provam que a arte sempre será parte fundamental.

A direção e o roteiro do videoclipe são assinados por Lucas Baumgratz, que se inspirou em várias cenas do filme Waking Life, do diretor norte-americano Richard Linklater. Lucas também conta que procurou “deixar um significado implícito: uma crítica ao cotidiano e uma ode ao despertar”. Conseguiu.

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