Dois Romances e Todas as Canções de Amor

“A gente queria fazer um filme sobre amor”, disse a cineasta Joana Mariani durante evento para a imprensa em São Paulo na promoção do filme Todas as Canções de Amor, que chega aos cinemas hoje, 08 de novembro. Com direção musical de Maria Gadú, o longa narra duas histórias paralelas que possuem a mesma trilha sonora, vinda de uma fita cassete encontrada em um apartamento.

Ambientado em São Paulo, a trama vê os recém-casados Ana (Marina Ruy Barbosa) e Chico (Bruno Gagliasso) descobrirem a tal mixtape e, a partir das faixas ali gravadas, imaginarem o que aconteceu com o casal Clarice (Luiza Mariani) e Daniel (Julio Andrade). Apesar da frase “todas as canções de amor” escrita na fita, suas músicas são, principalmente, sobre o fim de um relacionamento.

As composições escolhidas conversam com a história em seus temas e com o espectador dentro do seu imaginário, visto que são faixas presentes no repertório popular brasileiro. Dessa forma, Cazuza faz parte integral da história com Codinome Beija-Flor, Gal Costa e sua Baby são citadas também em um diálogo e hits de karaokê como Você Não Soube Me Amar (Blitz) e Não Aprendi Dizer Adeus (Leandro e Leonardo) aliviam certas cenas sem abrir mão da melancolia que seus versos carregam.

A estética do filme brinca ora com o gênero musical, ora com o videoclipe, mas raramente cai em um dos dois formatos. “Como ele foi feito ao longo de muito tempo, deu tempo de pesquisar o que eu gosto, o que eu não gosto, e fui me transformando também”, conta Joana, “eu sabia que a música teria uma força muito grande, porque a gente está contando uma história novas com músicas que todo mundo conhece. Então, tudo era uma questão de sonoridade. As atuações precisavam vir junto da música, mas sempre um pouco à frente”. “Isso veio muito do roteiro, que foi escrito para que as músicas fizessem parte do diálogo”, comenta a produtora Diane Maia, “a gente teve que trazer a editora de som para junto do roteiro, o que normalmente não se faz, para resolvermos essas questões”.

Assistir a Todas as Canções de Amor é relembrar a força que algumas composições que crescemos ouvindo por aí podem ter no amparo a uma narrativa, da clássica lambada Chorando Se Foi a Cartola e sua Acontece. Com Maria Gadú cantando Eu Sei que Vou Te Amar na introdução e Maria Bethânia declamando Vinícius de Moraes na introdução, além da presença mais do que especial de Gilberto Gil em voz e violão em performance de sua Drão, o filme fala próximo do espectador para além das histórias contadas, ao trazer novos e antigos significados para essas composições.

“A identificação com o filme é imediata por causa da música”, diz Gagliasso, “é impressionante como ela é um personagem”. “Acho impossível não se apaixonar pelo filme”, revela Marina, “cada música me emociona de alguma forma”. Veja o longa e nunca mais ouça Menino Bonito (Rita Lee) sem se lembrar da sensibilidade da interpretação de Luiza Mariani e Julio Andrade nessa que é a cena mais marcante de toda a produção. É mesmo um filme sobre amor, principalmente sobre como é impossível não se relacionar intimamente com aquilo que você ouve – sozinho ou acompanhado.

marina ruy barbosa, gilberto gil, bruno gagliasso e joana mariani (divulgação)

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