Dirty Projectors no Cine Joia, SP

Há uma década, Dirty Projectors vem construindo uma discografia bastante autoral, dando luz à discos tão memoráveis quanto irregulares. Em 2007, com o lançamento do álbum Rise Above, a banda começou a escapar do caminho totalmente não convencional que vinha propondo. Organicamente, o grupo pisou em territórios mais acessíveis a um público maior, porém ainda mantendo a deliciosa esquisitice que o marcou desde o começo.

O sexto e mais recente disco da banda, o majestoso Swing Lo Magellan, pode ser considerado o nirvana desta evolução. Com ele, os nova-iorquinos aproximaram-se ainda mais de um som capaz de conversar com um público desacostumado a experimentações sonoras e chegaram ao seu “caminho do meio”: a estranheza e irregularidade rítmicas continuam  ali, porém amenizadas por estruturas mais compreensíveis.

O show que a banda apresentou no Cine Joia na última sexta-feira, 30 de novembro, teve seu repertório focado na fórmula equilibrada desse último disco. A apresentação não deixou dúvidas sobre a excelência do grupo ou sobre a genialidade de suas composições.

Tanto o vocal polêmico de David Longstreth (já comparado ao coentro, por sua capacidade de gerar ou admiração intensa ou repúdio instantâneo) quanto a voz doce e estridente de Amber Coffman (que, recentemente, participou de uma faixa do Major Lazer) funcionam como “instrumentos” que norteiam o show. É impossível não se arrepiar com a soma sobreposta de vozes em “Beautiful Mother”, por exemplo.

Enxuta, a plateia que testemunhou o evento foi elogiada pelo frontman por conseguir sincronizar as palmas de uma maneira que ele nunca ouviu antes. Talvez perceba-se aí um entendimento bem especial dos brasileiros pelo som da banda. A conexão público-artista podia mesmo ser sentida no ar, seja por aqueles que arriscavam cantar junto ou por quem comentava que “não sabia que as músicas eram tão incríveis”. Caetano Veloso, sempre atento ao que se produz de bom e de novo na música, assistia ao show com brilho nos olhos.

Mais curto do que todos queriam que fosse, o espetáculo terminou com um gosto de “quero mais”, mas não deixou de saciar a fome dos apaixonados pela beleza sonora. Foi a noite de um belo registro de música contemporânea, de uma banda que rompe com sonoridades padronizadas e coloca o novo em voga, mostrando por que é considerada uma das mais importantes da cena atual.

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