As Muitas Caras da Música em 2011

Prestes a virar História, o multifacetado 2011 deixa seu legado como um ano em que, por mais que muitos afirmem que o cenário musical não tenha sofrido muitas mudanças, vimos um excelente lançamento atrás do outro, seja de nomes que nunca tínhamos ouvido falar, ou de gente conhecida que nos relembrou por que chegou onde está. Se não houve muita novidade para a música, houve sim muita qualidade.

Vimos o Pop atingir uma nova maturidade, o Rock trabalhar ainda melhor cada uma de suas vertentes, a música Indie conquistando cada vez mais espaço e a MPB encontrar de vez seu lugar entre diversos públicos. O Rap chamou a atenção mais uma vez e foi figurinha carimbada na mídia, em premiações e nos tantos festivais que agitaram o país. Acima de tudo, há ainda a música com múltiplas tags, aquela que sabe orquestrar diversas referências para criar algo que tenha a cara que quiser ter, seja independente ou com uma grande gravadora por trás.

E 2011 teve muitas caras. Muitos rostos, muitos sons. Fica difícil, praticamente impossível, estabelecer uma só identidade para o período. Mas, como gostamos de desafios, decidimos tentar mapear o que o ano foi musicalmente, nos pautando por diversos aspectos para eleger dez nomes que, daqui algumas décadas, vamos olhar para trás e reconhecer como ícones de uma época muito positiva para a produção musical.

Vamos revelar nossos dez eleitos aos poucos durante os próximos dias. Perguntamos “Quem Foi a Cara da Música em 2011?” para alguns amigos de diversos lugares do Brasil e as respostas deles estão aí embaixo. Dê uma olhada e nos responda também, utilizando o campo de comentários abaixo, o Facebook ou o Twitter.

 

Vinicius Castro (músico, Rio de Janeiro-RJ):

“Acho que minha resposta é meio clichê, mas o cara da música em 2011 foi inegavelmente o Marcelo Jeneci. Caiu no gosto popular, esteve em todo tipo de mídia diariamente o tempo inteiro”

Leo Fressato (músico, Curitiba-PR):

Marcelo Jeneci, por que é um cara que chegou trazendo uma poesia pra música brasileira, uma sonoridade que tava em falta. Ele representa uma nova leva da MPB”

Cleber Facchi  (Miojo Indie, Ponta Grossa – PR):

“O samba está insosso, frio e sem graça? Sem problemas, entregue ao alagoano Wado que ele saberá o que fazer. Depois de lançar alguns dos melhores álbuns da década passada, o músico retorna agora com Samba 808, trabalho em que une a sobriedade do maior ritmo brasileiro com uma bateria eletrônica Rolland TR-808. O resultado? Uma obra-prima”

 

Hick Duarte (Fiesta Intruders e Move That Jukebox, Uberlândia – MG):

“A música em 2011 foi recheada de surpresas e não há nenhuma mais gratificante do que a de Lúcio Souza, o SILVA. Poucas vezes ouvi uma reunião tão harmônica de elementos digitais e instrumentos clássicos em um EP como em SILVA. Imagino como isso deve ser um desafio estético rigoroso, mas parece muito espontâneo, muito sincero. O que ele produziu tem um toque sutil de uma característica da música produzida em 2011 que me marcou muito: as referências regionalistas do artista. SILVA já é um campeão, seja lá onde ainda for chegar”

Welliton Moraes (da banda Branco ou Tinto, Cuiabá-MT):

“A banda que eu conheci em 2011 e mais curti foi Golden Animals. Eles trazem algo que já está bem esquecido no rock and roll: a pscicodelia dos anos 60 e 70, inclusive visualmente falando, com o figurino e tudo mais. Gostei muito da proposta da banda”

Ariane Freitas (Vitroleiros, São Paulo-SP):

“A cara da música em 2011 (pelo menos no meu iPod) foi Circo Motel com seu disco novo, Sobre Coiotes e Pássaros. Ouvi até cansar e ainda assim não parei”

Pélico (músico, São Paulo-SP):

“Eu acho que o grande lance de 2011 é o conjunto, com tanta gente, tantos artistas lançando discos bons. Aos 47 do segundo tempo a Gal Costa lança um disco sensacional. É impressionante a capacidade e a boa vontade de se reciclar, que deve ser uma coisa difícil. Muitas pessoas tem essa vontade, mas não sabe como. Aí ela, a essa altura do campeonato, ainda se permite fazer isso”

Paulo (@rockeoutracoisa, Porto Alegre-RS):

“Acho que a Adele. Apesar das críticas e ‘bullying musical’ feito por fãs de outras cantoras, ela é uma excelente artista com letras muito bem escritas”

Kennedy Lui (da banda Zebra Zebra, Santos-SP):

“Acho que 2011 foi o ano em que o Emicida abriu muitas portas para o rap nacional. Toda vez que os Racionais lançam um disco isso acontece. Mas como faz tempo que o Mano Brown e Cia não lançam um album novo, ficou a cargo do Leandro (Emicida) essa função. O cara ganhou VMB, fez clipe foda, fez shows na gringa e continua soltando músicas boas”

Ed Félix (Embrulhador, Campina Grande-PB):

“Vou de Lana Del Rey. Mesmo sem lançar disco, ela conseguiu ser o centro das atenções. Tem tudo para ‘causar’ ainda mais em 2012″

Ju Piesco (Fala Cultura, São Paulo-SP):

“A cara da música em 2011 é o Criolo. O paulistano conquistou crítica e fãs com seu rap-canção, com seu novo disco Nó na Orelha, lançado depois de 23 anos de carreira. No álbum, o rapper conseguiu construir uma intricada colcha de retalhos de estilos e referências, de Adoniran Barbosa ao rap contemporâneo, cheia de poética e narrativas fortes. Para amarrar o seu sucesso em 2011, Criolo foi homenageado por um de seus ídolos, Chico Buarque de Holanda, no show de abertura de sua nova turnê”

Você pode acompanhar esse nosso especial de fim-de-ano através deste link. E conta aí: Pra você, Quem Foi a Cara da Música em 2011?

Shuffle

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