As Dimensões Visuais e Sonoras de Parcels

Quando cumplicidade e profissionalismo andam juntos o resultado costuma ser memorável. Parcels levou quatro anos para lançar o primeiro disco cheio. Esse tempo foi – e é possível dizer isso sem medo de errar – primordial para a carreira da banda australiana radicada em Berlim.

Desde o EP Hideout, lançado no ano passado, eles vêem desdobrando o primeiro disco. A estética baseada em um cenário aéreo, com malas, e tons variados, demarcam esse percurso – inclusive, a mala dourada em destaque na capa do EP parece voltar a surgir na capa do disco cheio.

Produzido por eles mesmos, o disco é homônimo, por, nas palavras da banda, trazer uma representação honesta deles enquanto pessoas, músicos e grupo. O reconhecimento dos músicos com uma identidade própria, construída ao longo dos anos de convivência, impulsionou o nascer desse novo trabalho.

Louie Swain (teclados), Patrick Hetherington (teclados), Noah Hill (baixo), Anatole Serret (bateria) e Jules Crommelin (guitarra) desenvolvem uma mistura de eletrônica contemporânea e funk disco em diálogo direto com os sintetizadores e as guitarras espirituosas.

A relevância dos vocais, e o cuidado com a elaboração dos sons (fato comprovável em cada session, ou apresentação ao vivo da banda, onde as músicas acabam recebendo uma roupagem nova) diz respeito a um comprometimento com o que é entregue: cada trabalho carrega, de forma nítida, uma singularidade compartilhada.

Os cinco australianos transitam entre as canções, trazem bom humor, leveza, seriedade com o que é apresentado, e algo que tem sido muito caro a todos nós nesses últimos tempos, uma válvula de escape. Encontrar na música um momento prazeroso; poder mergulhar nas canções e se divertir com o que se dá a ver e ouvir.

Lançado no último dia 12, o disco Parcels conta com três clipes que explanam, de formas distintas, as potencialidades da banda. Tieduprightnow, que saiu em abril, explora tons papéis remetendo a face mais engraçada e divertida da banda, com muita praia, danças espontâneas e uma estética mais analógica. Lightenup foi completamente produzido, escrito, dirigido e encenado pela banda, lançado em setembro, com uma estética mais sóbria e soturna. E Withorwithout, lançado neste mês, com participação de Milla Jovovich, em uma trama de suspense digna de curta metragem premiado.

Promissores no campo da música eletrônica, a banda ganhou os olhares de Thomas Bangalter e Guy-Manuel De Homem Christo, os nomes por trás das máscaras do duo Daft Punk. A dupla luso-francesa – influência visível no trabalho da Parcels, que no disco novo parece ganhar corpo especialmente nos riffs de IknowhowIfeel – produziu o single Overnight, que saiu no ano passado.

Ainda pouco conhecida no Brasil, Parcels tem muito território a ganhar. A autenticidade é um substantivo que ganha força dentro dessa banda.

Shuffle

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