Acalanto: Do Quadro à Poesia, da Poesia à Música

“É um projeto familiar”, explicou Ana Camelo ao Música Pavê sobre Acalanto – uma obra que começou como um livro que reunia quadros e poemas da artista e ganhou um abraço musical feito por seu irmão Luís Otávio. Além dele, houve o envolvimento de mais membros da família Camelo – a começar pelo músico mais conhecido com o sobrenome, Marcelo Camelo, encarregado da produção do disco.

É um projeto familiar. É um registro, um apanhado do meu trabalho até hoje. A minha grande vantagem é que todos da minha família tem algum talento (risos)”, conta Ana, que viu sua nora Mallu Magalhães emprestar sua voz para Atraente, a cunhada Thaís Howart cantando em Lamento, a outra nora – Elisa Menezes – cuidou da coordenação editorial e seu outro filho, o escritor Thiago Camelo (parceiro de Momo em seu novo disco, Voá) tratou de escrever o prefácio do livro. “São todos os dons miturados”, explica a pintora e escritora, “todos que trabalharam nesse projeto fizeram tudo com muita atenção, com muito capricho”.

E o cuidado é bastante claro em Acalanto, há um grande respeito pela obra de Ana na forma com que todos participam. Dos poemas de versos curtos aos quadros de cenas tão variadas, no geral urbanas, no melhor estilo naïf com elementos que quem nasceu e cresceu no país reconhecerá como bastante próprios daqui. Ana conta que Luís Otávio quis seguir esse clima nas músicas, no que gerou uma “obra tropical de cores quentes que passeia pelos ritmos brasileiros”, em suas palavras, “acho que meu irmão pegou bem esse espírito dos quadros e das poesias que faço. Ele até brinca comigo que, toda vez que lê uma poesia minha, tem a ideia de uma música”.

Com lançamento marcado para o 14 de março, Acalanto traz o que a artista explica como “uma terceira via: A transformação do quadro em poesia e da poesia em música”. Com ele, o público é brindado com uma obra interligada pela confluência de linguagens artísticas que, juntas, permitem uma bela fruição das narrativas ali expostas, seja na interpretação mais objetiva ou na plena admiração de cada item.

“Eu costumo dizer que sou uma contadora de histórias através dos meus quadros”, explica Ana Camelo, “eu não trabalho com acontecimentos reais, eu trabalho com sentimento. Sinto alguma coisa e tento transportar para a tela, e de uma forma bastante simples, para que a comunicação seja direta. E minhas poesias também são assim”.

(reprodução/Facebook)

(reprodução/Facebook)

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