2014 Define: A Música em um Ano

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Há quem diga que 2014 foi um tempo estranho para a música, com números curiosos de vendas e uma certa ausência de sucessos absolutos, enquanto nunca vimos tantos shows acontecerem no Brasil e os serviços de streaming deixaram de uma vez de ser o futuro para estarem em nosso dia a dia.

Avaliar um período desses não é fácil. Como sempre, a equipe Música Pavê elegeu dez nomes que, de uma forma ou de outra, explicam o que foi o ano. Você pode conhecê-los a partir de hoje, um por dia, no especial 2014 Define.

E, como somos curiosos, perguntamos a muita gente envolvida com música quem pra eles definiu o ano. A cada nome mencionado, vem as lembranças de faixas, discos e shows que formaram um capítulo muito interessante nessa história. Vamos a eles.

“Vejo 2014 como o ano da Banda do Mar. A expectativa natural por novos trabalhos do Camelo e da Mallu se cristalizou, ao meu ver, num disco doce, repleto de boas canções, bons arranjos e boas idéias. Acho que é o ponto alto de uma forma de fazer música que o Marcelo vem buscando e construindo desde o Sou (Nós). Me instiga, aliás, acreditar que, a partir de agora, os caminhos da música dele irão buscar outras curvas e inclinações. Outros ares. Embora eu não veja 2014 como um ano tão rico musicalmente quanto 2012 ou 2013, guardo esse disco da Banda do Mar num lugar bacana da minha prateleira” (Fernando Temporão)

“Pra mim, 2014 foi o ano da Banda do Mar. Realmente a melhor surpresa da música brasileira do ano de 2014. Uma banda que, com o seu álbum de estreia, conseguiu retomar o conceito do que é um album pra um artista, com 12 canções , não faixas, que estao lá pra serem ouvidas e curtidas na íntegra. Mísica a música, uma nova favorita. Você pode colocar o álbum em looping e deixar rolar o dia inteiro” (Bruno Vieira, diretor do Rdio no Brasil)

“Eu poderia passar um dia inteiro tomando café e conversando sobre os discos e lançamentos que aconteceram nesse ano. Muita coisa boa rolou, mas acho que, para mim, um dos nomes que vão me fazer lembrar de 2014 é Chet Faker. Não por ser o melhor, mas os beats eletrônicos, as texturas, pianos elétricos e, principalmente, as melodias marcantes fizeram do Built on Glass minha trilha sonora para muitos momentos esse ano. Em especial as excelentes Talk is cheap, Release your problems, Blush, Melt e Gold (essa ainda ganhou um dos videoclipes mais interessantes do ano)” (Leonardo Braga/Planar)

“É inevitável, o primeiro artista que me vem à cabeça é Chet Faker. Foi o Bernardo Pauleira (produtor do Cupim) quem me mostrou o cara pela primeira vez, num vídeo dele ao vivo em Melbourne. Fiquei embasbacado como uma pessoa só podia tirar aquele som do boiler room. O mesmo artista cuidando da batida, dos timbres, da harmonia e com uma voz absurda. Sem falar na estranheza que causa o som ser ao vivo, mas, ao mesmo tempo, ser super limpo por vir direto da mesa. Perturbador. Nesse ano, ele lançou seu álbum de estreia e ainda fez aquele clipe maravilhoso de Gold com patinadoras hipnotizantes. Poucas coisas são tão vanguarda quanto essa experimentação de timbres a que ele se dedica. Uma feliz descoberta que já virou referência para o meu trabalho” (Paulo Camões)

“O disco Small Town Heroes, da banda Hurray for the Riff Raff, e Salad Days, de Mac Demarco. Porque as músicas são bonitas. A metade que eu ouvi, pelo menos. E faz 190 anos da Nona Sinfonia de Ludwig Van Beethoven. Isso não pode passar batido. Sonho com o dia em que gravarem uma versão Surf Music da sinfonia” (Gabriel Serapicos)

Mac Demarco. E nem pelo shows que fez por aqui, incríveis. Ele brilhou em 2014 por causa da sua personalidade. As evidências são muitas: entrevistas hilárias, notícias curiosas, vídeos caseiros de uma estética toda peculiar. Ele é um mestre do PR, dentro de um contexto alternativo/independente, dotado de uma genuinidade que nos (me) inspira, fascina e faz rir. Muito. Eu escolheria mil vezes essa personalidade antes de uma máquina milionária de marketeiros, como a da Taylor Swift. A música do Mac é a essência do que ele faz, claro. Digo mais: ela é maravilhosa. Muito menos gente teria a ouvido, no entanto, sem essa personalidade: seriam menos pautas, menos compartilhamentos, menos presença em listas de fim de ano e, sobretudo, menos primeiras chances. Em dias de atenção escassa, uma audição cuidadosa da sua música – ainda mais se ela for lo-fi, sutil e fora dos padrões – demanda mais do artista. Ele precisa ser músico e personagem, disposto a se despir (no caso do Mac, literalmente) diante de toda a Internet” (Fernando Araújo/Dominódromo e Naïve Bar)

“Tarefa injusta a de escolher somente um destaque de 2014. Na minha listinha pessoal, poderia citar aqui, entre outros, Juçara Marçal, Far From Alaska, O Terno, Jack White, Anita Tijoux ou GOASTT que pra mim trouxeram alguns dos álbuns mais instigantes do ano, saindo da mesmice até dentro da própria obra. Mas decidi eleger a Pitty. Depois de um hiato em que Pitty soube a hora em que devia dar um tempo, explorou novos caminhos em um projeto paralelo, passou por barras pesadas que envolveram situações das mais sombrias como traição, doença e morte, Pitty mostrou ter força para se reerguer e, sem medo de expor suas experiências pessoais, apresentou um álbum inspirado com um som encorpado, não decepcionando seus fãs e conquistando o reconhecimento até de quem antes torcia o nariz. Pitty ainda aproveitou a boa fase pra lançar um livro com jeito de livro de arte – uma coletânea de fotos que refazem a sua trajetória de vida da infância até hoje – e, ainda, não se furtou de se posicionar e se engajar sem demagogia em temas que falam diretamente a nós mulheres, como liberdade (no caso da Anitta), empoderamento (oferecendo apoio público ao Girls Camp Rock Brasil) e representatividade (na concepção do vídeo de Serpente). Pra mim, Pitty voltou com um trabalho de qualidade, em um contexto em que soube unir com honestidade arte, engajamento e também o marketing necessário pra fazer a mensagem chegar a todos os lugares. Ponto pra ela!” (Renata Arruda/Revista O Grito! e Scream & Yell)

“O irlandês James Vincent McMorrow definitivamente é uma fonte para se beber. É praticamente impossível não amar o álbum Post Tropical. O disco é carregado de falsetes, tranquilo, soulful e surpreendente. A faixa Cavalier te transporta para outro tempo, só reforça o fato de saber que a música realmente tem poder” (Victor Abdelnur/Water and Man)

“Talvez se esta pergunta do Música Pavê fosse menos ambiciosa (o que obviamente não seria tão legal) eu teria uma resposta diferente, mas quem definiu 2014 na música foi a Taylor Swift. Apesar de estar longe de ser pioneira em mais uma pequena disruptura na indústria fonográfica (que parece ser sempre a última a entender como as coisas funcionam), acredito que ela conseguiu trazer reflexões sobre formatos de distribuição, modelos de negócio e até sobre o valor da música, para um público que talvez ainda não tivesse entrado na discussão. Não é exagero pensar, por exemplo, que muitos pré-adolescentes tiveram com 1989 suas primeiras experiências comprando discos individuais com valor cheio (seja em formato físico ou digital), sem consumir tudo “automagicamente” no pacotão do streaming. Ao mesmo tempo, apesar de ser taxada por alguns como sem sal, Taylor mostrou um caminho diferente a ser seguido entre as top 5 ou top 10 divas do Pop, onde não é necessário ser rebelde, extravagante ou polêmica para fazer sucesso. A garota conseguiu provar que é possível chegar lá “sendo você mesma” (sim, com todas as aspas do mundo), e conseguiu uma maior identificação e uma menor antipatia por parte dos fãs e do mercado. E obviamente, já que o assunto é música, lançou um disco bem produzido e com hits instantâneos e divertidos, com letras aparentemente bem reveladoras e que tem tudo para continuarem reinando por aí até um novo grande lançamento Pop” (Lucas Repullo/Monkeybuzz)

Criolo. Disco poderoso, muito acima da média” (Marina Wisnik)

“Talvez eu nunca tivesse ouvido esse disco, talvez até passasse despercebido. Mas algo me pegou – ainda não sei muito bem o que é – mas sei do valor dos leves traços de melancolia e do fato de ser uma caminhada para dentro de si. Bruno Berle passeia por paisagens, como se fosse o único caminho por onde pode ir. Um artista completo e que se completa na simplicidade. Neste exato momento, o álbum ainda não foi lançado, mas estou aqui, desfrutando da sonoridade e dos vazios das oito faixas que contemplam a obra. Esse disco será um acontecimento” (Di Pietro/Jardim Elétrico)

“Foi um ano em que as harmonias e arranjos mais interessantes, complexos e dissonantes voltaram, como em Airglow Fires, do Lone. Já venho sentindo isso desde o álbum do Disclosure, lançado ano passado. Sempre identifico uma semelhança estética a essa progressão de acordes mais jazzísticos que o Lone fez em outros artistas que se destacaram esse ano, como o Flume, Chet Faker, Pharrell e Todd Terje. Quem fez primeiro, não sei, mas certamente essa foi a onda que veio esse ano” (Diogo Strausz, produtor)

“Quando pensei em quem definiu 2014 na música, pensei em quem lançou algo legal em 2014, mas depois percebi que, pra mim, a melhor coisa de 2014 foi lançada em dezembro de 2013. Sempre tive os dois pés no pop, consigo enxergar muita coisa interessante, bem feita e absolutamente relevante pra música nessa gaveta. Nunca foi novidade pra mim que a Beyoncé era uma artista completa, uma mulher com posicionamento interessante e uma baita cantora. Mas o álbum que ela lançou, de uma vez e sem avisar, com quatorze músicas e dezesseis vídeos me deixou boba. Mais do que artista pop, pra mim ela é a síntese do que é trabalhar duro, investir horas e ter cuidado com a técnica e saber o que o público precisa hoje. Sim, ela me inspira muito nesse sentido, acho que lançar músicas acompanhadas do apoio visual é muito inteligente, é uma resposta ao que o público pede hoje. E pra mim a relevância desse disco, lançado sem aviso, dessa maneira, é sem medida. Artista é o cara que entende o mundo em que vive e tenta inserir essa necessidade no seu trabalho, sem se perder. O pop da Beyoncé consegue atingir todas as classes sociais, todos os perfis e isso é o sonho de qualquer artista. Puta disco, cantora incrível, posicionamento corajoso e sensibilidade para o mercado de hoje. Ela definiu 2014, pra mim” ()

“Acho que foi o Emicida. Porque considero o disco dele (O Glorioso Retorno De Quem Nunca Esteve Aqui) um dos maiores discos da música brasileira. E tenho certeza que os outros 4 ouviram muito esse cd também” (Pedro Viáfora/5 a Seco)

Racionais MC’s apresentou o disco mais polêmico de 2014, tanto nas letras, como no formato. Mano Brown já vinha dizendo nos show que ‘a partir de agora é pouca ideia’, e foi isso que rolou: um disco de apenas 35 minutos. Pouca ideia, porém com força e qualidade bem maiores do que todos os discos lançados nesse ano” (Bruno Berle)

Kimbra é uma referência para mim já há algum tempo. Uma artista versátil que representa uma abordagem contemporânea e autêntica da música pop. Vejo 2014 como um ano cheio de contradições e de movimentos, da política ao futebol, cheio de potencialidade e de frustrações. Vejo essas mesmas características no segundo álbum da Kimbra, The Golden Echo, lançado em 2014. É uma obra de camadas, aprofundada a cada vez que se ouve. Confesso que tinha grande expectativa pelo lançamento dele, mas não gostei de primeira, talvez nem de segunda. Me senti frustrada, sei lá! Mas, a cada vez que ouço, percebo ali o caldeirão de referências, de vontades e de simbologias da Kimbra. É um álbum pop, mas complexo; sonicamente texturizado, mas focado em canções; caótico e diverso, mas organizado em torno de um conceito e de uma narrativa. Ela não fez concessões para dizer o que queria, como queria, e a admiro muito por isso. 2014 foi um ano que passou voando e que me deixou várias marcas e uma delas foi a coragem de seguir um caminho artístico condizente com a minha mensagem e com o que eu acredito” (Clara Valente)

“Dentre os diversos lançamentos do ano de 2014, acredito que o disco que mais chamou minha atenção e rendeu diversas audições foi o da americana Angel Olsen. O disco, que se chama Burn Your Fire for No Witness, tem uma excelente atmosfera lo-fi, belíssimos timbres de guitarra e arranjos vocais que carregam a solidão das letras. O começo agitado do álbum, com músicas como Forgive/Forgotten e Hi-Five (que soa como uma parente irônica e moderna de These Boots Are Made for Walkin’, de Nancy Sinatra), abre espaço para a reflexão e a melancolia a partir da canção White Fire (que invoca uma atmosfera bem Leonard Cohen para o disco), criando uma sutil narrativa. A reinvenção dessas influências sessentistas através dos elementos de produção contemporâneos é a chave para todo o conceito do álbum ficar bem interessante e soar original. Acho que isso foi essencial para eu gostar desse disco de primeira e ter ouvido diversas vezes depois. Méritos para o produtor John Congleton, que além do grande trabalho com Angel Olsen, também produziu o disco homônimo da St. Vincent e foi o engenheiro do incrível álbum To Be Kind, do Swans” (Felipe Vianna/Fleeting Circus)

“Pode parecer puxação de saco, mas pra mim quem definiu (e surpreendeu) esse ano foram meus conterrâneos do Boogarins. Por motivos óbvios, chegaram na intenção de fazer música pela música da forma mais sincera-simples-e-encantadora, sem frescuragem são os caras mais legais da música atualmente, fizeram os shows mais enérgicos que já vi e  conquistaram a metade do mundo. Acredito que no próximo disco, conquistam a outra metade” (Bruna Mendez)

“É difícil escolher apenas um disco que represente o que há de melhor em tudo o que ouvi esse ano. Mas o último da já consagrada banda O Terno me chamou muita atenção. Com uma estética incrível que remete a algumas décadas atrás, suas melodias seguem os caminhos, por vezes, menos prováveis, e suas letras nos fazem mergulhar nas histórias cantadas. O álbum, batizado com o mesmo nome da banda, é capaz de me surpreender a cada vez que escuto, graças à tamanha qualidade das composições do trio paulista. Trabalho sensacional” (João Capdeville)

“’Ele beija ela, ela beija ele, mas se rolar um clima, ele beija ele, ela beija ela’, ‘Todo mundo na montanha russa sentimental, burilando seu smartphone emocionado’. Foram os versos que me chamaram a atenção para esse novo disco do Lucas Santtana, Sobre Dias e Noites. Ao lado disso, a produção com arranjos, timbres e levadas que ouvimos por ai no rádio, na rede e na rua também trouxe o trabalho para próximo de mim. Acho que ele conseguiu um equilíbrio feliz entre forma e conteúdo na melhor expressão daquilo que nos ensinou Hegel: um determinado conteúdo só se concretiza plenamente segundo uma forma adequada, em outras palavras, o clima para que ‘ele beije ele, ela beije ela’ só rola se for cantado num Funk dos Bromanticos” (Matheus Brant)

Sun Kil Moon. Sentimentos densos e comoventes contados com simplicidade, maturidade e beleza. Mark Kozelek com seu lançamento, Benji, do começo do ano parece resumir os fluxos intensos de 2014. Seu nome se manteve em destaque o ano todo – ainda que por motivos pouco nobres, como sua briga com  Adam Granduciel, da The War On Drugs -, e chega nesses últimos meses intacto como um de seus grandes lançamentos. Tretas, sensibilidade, intensidade e beleza: isso foi 2014 e também Benji” (Roger Valença/Onagra Claudique)

“Quando se fala da “cara” musical de 2014, é difícil não pensar no Mark Kozelek (do projeto Sun Kil Moon) e na treta épica que ele arrumou com outra estrela indie, a banda The War on Drugs. Quando o som do Drugs (caracterizado por Kozelek como “merda de solo de guitarra de comercial de cerveja”) vazou pro palco do Sun Kil Moon durante um festival em que as duas bandas tocavam simultaneamente, Kozelek pegou birra e xingou eles durante o show, e depois em entrevistas, e ainda soltou uma canção chamada War on Drugs: Suck My Dick. A rixa se prolongou demais, no entanto, e a honestidade descuidada e senso de humor amargo de Kozelek acabaram torrando a paciência do público, que o presenteou com a fama de chato e “troll”. Mas é esse mesmo senso de humor e honestidade que fizeram de Benji, o novo álbum do Sun Kil Moon, uma obra-prima devastadora. Kozelek mira em temas vagos e grandiosos, como morte e família, e canta letras que parecem ter sido despejadas na música (pra não dizer vomitadas) direto do seu subconsciente, sem restrições. E, pra mim, não houve nenhum momento musical em 2014 mais eletrizante que a inesperada entrada de bateria no final de Richard Ramirez Died Today of Natural Causes, que soa como alguém arrombando uma porta com um chute. Compondo assim, pode trollar à vontade, Mark” (Luis Calil, Cambriana)

“Gosto muito de The War on Drugs e de uma banda nova chamada Viet Cong. Desgosto muito dessa moda de achar que Miley Cyrus e Taylor Swifts são geniais” (Eduardo Praça/Quarto Negro)

Acompanhe o especial 2014 Define no Música Pavê e relembre os anteriores: 2013 | 2012 | 2011

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