O que seria do Radiohead sem Stanley Donwood?

Quando ainda se chamava Dan Rickwood, Stanley Donwood estudava na Universidade de Exeter, onde conheceu Thom Yorke, do Radiohead, e a carreira dos dois nunca mais foi a mesma.

Em 1995, a banda lançava seu segundo disco, The Bends, para o qual Yorke convidou o artista para trabalhar na arte do álbum. A parceria deu tão certo que todos os outros lançamentos do Radiohead trazem as ilustrações de Donwood, que ganhou o Grammy de “Melhor Encarte de Disco” por Amnesiac, em 2001.

O trabalho do artista, inspirado por Bosch e Friedrich, entre outros, traz a densidade presente em cada tom do brit pop. Suas linhas bem definidas acompanham as guitarras da banda, enquanto suas variações de cores carregam em si a melancolia do vocal de Yorke. Os diversos suportes que ele utiliza para suas imagens (fotografia, pintura, desenho, computação) seguem a experimentação que testemunhamos em diferentes fases e canções feitas nesses últimos 16 anos.

Acima da musicalidade, seus quadros exprimem a contemporaneidade que o Radiohead tanto explora em seus trabalhos. Cada um dos álbuns reflete em sua totalidade o espírito de nossa época como poucos produtos culturais lançados pela indústria fonográfica, daí tantos fãs cativados em uma relação emocional com os discos. Sorte da banda que se associou a um artista tão sensível, imaginativo e ligado ao seu tempo como Donwood; sorte nossa podermos desfrutrar desses registros (que é a tradução literal para records, a palavra em inglês para “discos”) de nossa época em imagem e som.

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