Fotógrafo: Victor Nomoto

Nascido no Brasil e crescido no Japão, Victor Nomoto vem desenvolvendo nos últimos três anos um belo trabalho com fotografias de música. Ao conversar com ele sobre sua carreira, a única coisa que fica mais evidente além de seu talento é sua paixão pelo universo de bandas e shows. Foi justamente esse amor que o fez investir na profissão e que alimenta seu trabalho com uma força que nem sempre vemos por aí. Mas isso é mais legal ouvir diretamente dele, já que ele é uma simpatia que só. Veja só o que ele nos contou:

Música Pavê: Victor, por que fazer fotografias de música?

Victor Nomoto: Primeiramente , pelo óbvio: Gosto muito de musica. Inclusive, teve uma época que tentei me aventurar no mundo da musica com uma bandinha, tocávamos J-rock (Rock Japonês) e nos divertíamos bastante, coisa de gente nova (risos); E depois porque pra mim musica engloba tudo no quesito arte, é imagem, tanto estática quanto em movimento, é poesia, é desenho, pintura, é um pouco de tudo numa só aba.

MP: Qual foi o momento em que você percebeu que tinha “nascido pra isso”?

Victor: Quando começaram a me pagar para isso! (risos) Brincadeira, não lembro quando percebi, mas quando decidi eu lembro bem. Foi antes do show da banda internacional Underoath, no dia anterior do show eu tinha acabado de tatuar meu braço inteiro, decidido que assim estaria “rasgando meu RG” e que viveria disso pro resto da minha vida.

MP: Quais as características que você mais preza que suas fotos tenham?

Victor: Sem dúvidas o sentimento, tanto do meu lado como do lado fotografado. Gosto de olhar para foto que tirei e sentir algo logo no primeiro momento que olho para o visor da camera. Outra que gosto muito é o movimento, gosto de brincar de historia em quadrinho de um frame só, tanto que foi assim que descobri o tal do lightpaint, que na época nem imaginava que tinha nome. Eu só queria colocar mais informações em uma imagem, acha pouco retratar apenas O MOMENTO. Há vezes que é legal colocar “Os” [momentos].


MP: Alguns estilos de música são mais desafiadores para fotografar que outros?

Victor: Cara, essa dificuldade até o momento eu não encontrei. Claro que existem shows mais animados e com mais “chances” de clickar, mas todos estilos são tocados com um sentimento bonito que costuma transparecer nas imagens. Já fotografei praticamente todos estilos musicais, acho que menos pagode, por falta de oportunidade mesmo.

MP: Qual a principal diferença entre seu trabalho com música e seus outros trabalhos em fotografia?

Victor: Na música eu me sinto mais livre, mais Nomoto e não apenas mais um fotógrafo. Alguns outros trabalhos se salvam dessa regra, mas na maioria me sinto apenas mais um.

MP: Quais são as suas fotos que você mais gosta, aquelas que definem bem seu estilo e apontam onde você quer chegar?

Victor: Cara, eu amo todas! (risos) Primeira de todas, disparada, é esta do Kyo, vocalista da banda japonesa Dir en Grey. Foi o ápice da minha carreira, sempre fui fã desta banda e quando comecei a fotografar o maior sonho sempre foi fotografar eles, mas, poxa, é uma banda do Japão, duvidava se um dia seria possível poder fotografar um show deles. No dia em que vi o nome deles nas bandas que iriam tocar no Maquinaria Festival, parecia que estava sonhando. Na hora, saí correndo feito um louco atrás de uma credencial. Foi nisso que o meu amigo Rodrigo Esper, que trabalha comigo no JaME, me convidou para clickar o evento com ele. Chegando lá, credencial negada. Motivo: duas credenciais de fotografo para o mesmo veiculo? “Impensável”, assim disse a moça do credenciamento.Enquanto meu mundo desmoronava, o Rodrigo saiu batendo de porta em porta pela vizinhança em busca de internet e uma impressora. Não sei como, ele conseguiu imprimir os emails que diziam liberar dois fotógrafos visando que o JaME é um veiculo de música japonesa. Mas, nem tudo é flores, credencial apenas para pista e sem chance fotografar de lá. Enquanto isso, o tempo apertava. Nisso trombamos uma amiga nossa, Amanda Louzada, que com um “vem comigo” nos levou para a área ao lado do palco e nos apresentou para um organizador. Ele disse que liberaria nossa entrada para o “garrafão” (a área em frente ao palco), mas que estava muito corrido e que ma hora do show iria aparecer. Quando todos os fotógrafos começaram a entrar, nada de nos liberarem, quando que como se tivesse caído de para-quedas, surgiu o organizador, nos puxou para dentro do garrafão e disse para os seguranças “eles estão com a banda”. Por um momento, ele conseguiu multiplicar por mil o prazer daquele momento, porra, sou da banda (risos). Foi um show que fotografei chorando e não tenho vergonha de falar isso. Dei tudo de mim e creio que isso se refletiu nas fotos.

A segunda que escolhi é esta. Na foto, está um que de longe é um dos meus melhores amigos, o artista Daniel Bonavita. É como eu citei no começo da entrevista, “sentimento é tudo”, e o “Bona” sempre tocou cheio de emoção, acho que a entidade do metal respondeu, transformando a imagem numa cena semi-mórbida cheia de movimento. Chamo essa imagem carinhosamente de Caveirinha do Metal (risos). Além de conter sentimento, ela tem muito do elemento movimento representado pelas luzes que desenharam esta cena.

E por último, mas não menos importante, Daniel (Danibas) do Envydust. Quem já foi a umshow da banda sabe que emoção é algo que nunca faltou neles e nesta cena consegui capturar o momento mais forte do show em que o Danibas deu um berro acapela. Por sorte (a bendita que sempre me ajuda), ele se enquadrou num ponto ótimo da lente que deu ainda mais impacto ao momento. Sentimento puro.

MP: Por último, onde você quer chegar? Quem você queria fotografar e ainda não teve a chance?

Victor: Quero e não quero, gostaria de tirar uma foto que eu não olhasse depois de um tempo e pensasse “podia ter feito assim ou assim e seria melhor”. Espero que isso nunca aconteça de verdade, tô bem assim, semi-insatisfeito com tudo. Cara, tem tanta gente que eu gostaria, mas uma banda japonesa chamada Plastic Tree seria animal, do mesmo jeito do Dir en grey marcaram muito várias passagens da minha vida e é um grupo muito importante para mim.

Por último, queria convidar o pessoal que gostou do meu trabalho a conhecer o coletivo de arte qual eu faço parte, o Closemotion, que nasceu duma vontade de fazer arte minha, do fotógrafo Mauricio Santana e do artista Daniel Bonavita.

E no mais , imagens valem mais que mil palavras e eu já falei varias delas.

Mais de Victor Nomoto: Site oficial– Flickr – Twitter

Shuffle

Muito além do Gorillaz
Quadrinhos e humanitarismo também marcam a carreira do designer Jamie Hewlett
Entrevista: Nevilton
Conversamos com o homem que dá nome ao trio sobre a cena Indie no Brasil, seu processo de composição, videoclipes a participação na coletânea Re-Trato e a honra de abrir para o 14 Bis no próximo sábado
Entrevista: Boogarins
Celebrada no Brasil e no exterior, a banda goiana colhe os frutos de seu excelente disco "As Plantas que Curam", lançado no ano passado, com grandes notícias pra 2014

Curtiu? Comente!

4 Comments on “Fotógrafo: Victor Nomoto

  1. Nomoto é um dos fotógrafos mais talentosos (e gente booooooooooooooa demais!!!) que conheço!!! Parabéns pela reportagem e pra vc Nomotão!!!

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Sobre o site

Feito para quem não se contenta apenas em ouvir a música, mas quer também vê-la, aqui você vai encontrar análises sem preconceitos e com olhar crítico sobre o relacionamento das artes visuais com o mercado fonográfico. Aprenda, informe-se e, principalmente, divirta-se – é pra isso que o Música Pavê existe.

Contato

fale@musicapave.com